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Hospitais do Paraná firmam compromisso de modernização do modelo de saúde mental Imprimir E-mail
Qui, 22 de Agosto de 2002 21:00
“O Paraná avança para oferecer a necessária modernização do modelo assistencial de saúde mental, com a conseqüente desospitalização de boa parte do contingente de pacientes hoje internado, sem os desgastantes conflitos ideológicos e de interesses que ocorrem em outras regiões do país”. A análise é do diretor técnico de Psiquiatria da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Augusto Fonseca da Costa, para quem a construção de uma rede de recursos assistenciais preventiva, complementar e até mesmo substitutiva, em parceria com a rede hospitalar já existente, vai consolidar o Estado como referencial de qualidade na especialidade. O atual modelo ainda oferece poucas alternativas de prevenção e tratamento além da internação especializada. Em contraste com a triste realidade exibida por outros estados brasileiros e apesar da baixa remuneração paga pelo Ministério da Saúde, Augusto da Costa destaca que o Paraná detém uma boa estrutura hospitalar especializada, traduzida por indicadores de qualidade quanto a médias de permanência, taxas de óbitos e índices de reinternação, sendo fácil sua adaptação para atender no novo modelo. Ao reafirmar o entendimento entre prestadores e gestores do sistema público de saúde durante o Seminário Estadual de Saúde Mental, realizado em Curitiba há uma semana, o diretor da FBH entende que essa “transição” ocorrerá sem maiores traumas e com grande avanço no atendimento da parcela da população que sofre de transtornos mentais. Estrutura e qualidade “Como a linha de ação da Secretaria Estadual de Saúde tem sido, desde a implantação do projeto Saber Viver, a de selecionar bons hospitais e mantê-los como importantes parceiros, estamos convencidos de que esta soma de esforços propiciará uma nova realidade, compatível à reforma psiquiátrica inaugurada há um ano e três meses”, diz. Mesmo com a expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e das atividades extra-hospitalares, Augusto Fonseca da Costa, que também é médico e dirigente hospitalar no Paraná, acredita que o potencial de leitos hoje disponível não será alterado substancialmente. No Paraná, os 19 hospitais psiquiátricos e quatro hospitais gerais ofertam 4.355 leitos, número compatível ao de ½ leito para cada grupo de 1.000 habitantes preconizado pela Organização Mundial de Saúde e praticado até mesmo em países do Primeiro Mundo. O Coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, que participou do seminário em Curitiba, pretende reabilitar o grupo de discussão criado pela Portaria 321, onde os hospitais e o Ministério da Saúde voltariam a discutir democraticamente seu relacionamento. Um dos aspectos é a eventual separação entre média de permanência de pacientes agudos daqueles com mais de seis meses de internação (os moradores). Delgado defende a melhoria do perfil de atendimento em termos de qualidade dos serviços. Para isso, através do emprego de instrumentos continuados de avaliação, quer detectar os bons e os maus serviços. Essa preocupação com qualidade tem feito com que o MS venha realizando pesquisas com os pacientes, dentro dos próprios hospitais, para avaliar sua satisfação e bem-estar. O Coordenador de Saúde Mental também reconhece que os valores pagos precisam ser revistos, sem necessidade de ações judiciais, como vem ocorrendo. Delgado admite a dura realidade da assistência hospitalar brasileira, onde um psiquiatra recebe, por dia, menos de R$ 2 por paciente internado sob sua responsabilidade. Zedir Macedo, presidente da Associação dos Familiares de Doentes Mentais do Brasil, exibe a sua posição de contrariedade às políticas de desospitalização, exemplificando o fracasso de modelos implementados em países como os Estados Unidos. Para ele, há o risco de doentes mentais irem parar em cadeias ou ficar desassistidos, já que há resistências entre os hospitais gerais. Em várias regiões do país, em episódios recentes, têm sido detectados problemas envolvendo pacientes que deveriam estar recebendo assistência no ambiente hospitalar. Augusto da Costa avalia que no Paraná, graças a sua estrutura, conscientização dos gestores e qualificação de serviços, não tem se registrado incidentes mais graves.
 
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