Rede dos Conselhos de Medicina
Paraná lança Comitê de Mortalidade de Trânsito Imprimir E-mail
Qui, 19 de Setembro de 2002 21:00
Alunos da rede pública participaram, ontem, do lançamento da Semana Nacional do Trânsito O secretário da Saúde do Paraná, Luiz Carlos Sobania, anunciou ontem a criação do Comitê de Mortalidade no Trânsito, que vai investigar as causas de mortes em acidentes de trânsito no Estado para que possam ser adotadas medidas preventivas. Trata-se do primeiro comitê no gênero do País. "No Brasil, por ano, morrem cerca de 35 mil pessoas vítimas de acidentes de trânsito. Metade delas nem chega a receber atendimento", disse Sobania. No Paraná, no ano passado, 2.527 pessoas morreram em acidentes. "Com certeza estes números são altos e nossa intenção é promover medidas para reduzi-las", afirmou. "O comitê vai identificar as causas de morte no trânsito para que possamos tomar as medidas necessárias e investir no combate ao problema, seja através de campanhas educativas ou mais sinalização." O comitê vai envolver Detran, engenharia de tráfego e hospitais. A iniciativa também terá a participação dos acadêmicos dos cursos de Engenharia das universidades do Paraná, das macrorregionais de Saúde de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Em novembro deste ano, fiscais do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) receberão treinamento para investigação de mortalidade no trânsito. O curso será realizado pela Universidade Federal do Paraná, através do Ministério da Saúde, com o apoio da Secretaria Estadual da Saúde. Numa segunda etapa, também as secretarias municipais de Saúde participarão do treinamento. "A capacitação das pessoas começa este ano e o funcionamento do comitê está previsto para o ano que vem", adiantou Sobania. Ações A cada acidente de trânsito com vítima, o comitê será acionado. Ele deverá levantar, em um prazo de 24 horas, todos os dados sobre o sinistro. As informações serão analisadas de forma a definir as causas do acidente e sugerir medidas preventivas para que, no local, não sejam registradas novas ocorrências. "Às vezes uma árvore ou outro obstáculo tira a visão do motorista, que mesmo trafegando em baixa velocidade pode colidir com outro carro ou pedestre. Só fazendo um levantamento no local, conversando com pessoas que testemunharam a situação e com os envolvidos será possível tirar uma conclusão sobre o fato e verificar as medidas de prevenção", esclareceu o secretário. O Comitê de Mortalidade no Trânsito funcionará nos mesmos moldes dos comitês de mortalidade infantil e materna já instalados do Estado. Campanha vai orientar motoristas O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), a Diretran e o Detran lançaram ontem, no Parque Barigüi, em Curitiba, a Semana Nacional de Trânsito. Neste ano, o objetivo da campanha é orientar o motorista que fala ao telefone celular enquanto dirige. A campanha vai até 25 de setembro. O Detran está instalando outdoors nas principais cidades do Estado. A partir de hoje até o dia 30 será veiculado um filme educativo na televisão e publicados anúncios nos principais jornais paranaenses. "A campanha de conscientização também será levada às ruas", disse o diretor geral do Detran, Cesar Franco. Os motoristas vão receber folhetos com a mensagem "Celular no carro: 30% menos atenção e você fora da área". O material será entregue em bares, restaurantes, casas noturnas e escolas de Curitiba, Região Metropolitana, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Umuarama. Folhetos e orientações também serão oferecidos nos cruzamentos mais movimentados da capital e municípios vizinhos. Já o BPTran, segundo o major Pedro Plocharski, sub-comandante do Batalhão de Trânsito, vai investir no futuro motorista. O Batalhão vai realizar palestras educativas para estudantes de cinco a 13 anos, de 45 escolas municipais e estaduais de Curitiba e Região Metropolitana. Cerca de 10 mil alunos receberão noções básicas de trânsito e dicas para evitar acidentes. "O objetivo da Semana Nacional de Trânsito é fazer com que cada motorista se torne mais consciente de que pode melhorar as condições gerais do trânsito, desde que siga as normas de direção segura e defensiva", explicou o major Plocharski. De acordo com o subcomandante do BPTran, de janeiro até o início do mês de setembro deste ano, o Batalhão de Trânsito já registrou mais de 11 mil acidentes de trânsito em Curitiba, totalizando uma média diária de 40 acidentes. Restrição O diretor do Detran, Cesar Franco, lembrou que, além do celular, o motorista deve evitar, também, a utilização do fone de ouvido monoauricular e do sistema viva-voz. "O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) recomendou a proibição do uso destes acessórios. O que vai ser estudada agora é a forma de fiscalização", informou. Estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) indica uma redução de 53% nas ativações de células cerebrais quando a pessoa executa mais de uma tarefa ao mesmo tempo, caso do motorista que usa o celular enquanto dirige. Acidentes custaram R$ 334 milhões Os 25.110 acidentes ocorridos em Curitiba durante o ano passado custaram aproximadamente R$ 334 milhões. A informação foi divulgada pelo diretor da Diretran (Diretoria de Trânsito da Urbs), José Álvaro Twardowski, ontem na abertura da Semana Nacional de Trânsito, em Curitiba. "É como se cada cidadão curitibano tivesse pago o equivalente a R$ 200 só no ano passado", comparou o diretor ao explicar que os custos sociais compreendem, entre outras, as despesas com hospital, guincho, seguro obrigatório, seguradora do veículo, licença por afastamento, perda de produtividade, pensão, indenizações e até o funeral no caso de mortes resultantes dos acidentes. O resultado é baseado num estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, realizado em 97, que calculou o valor médio das perdas sociais de cada acidente. Pela pesquisa da CET, um acidente sem vítima custa aproximadamente R$ 4.500; um acidente com vítima causa um prejuízo de R$ 18 mil, um atropelamento custa R$ 27 mil e uma vítima fatal causa um prejuízo de R$ 451,2 mil. O diretor lembra que está ocorrendo uma redução do número absoluto de acidentes em Curitiba. "Mas ainda temos que reduzir mais", alerta. Em 1997, ano em que foi criado o programa Cidadão em Trânsito, houve 25.719 acidentes em Curitiba. Em 1998, primeiro ano de vigência do Código de Trânsito Brasileiro, foram 24.350. Em 1999 ocorreram 26.381 acidentes e em 2000, 25.587. No ano passado este total caiu para 25.110. A previsão para este ano é que sejam registrados pelo BPTran 24,8 mil.
 
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