Escrito por Edevard José de Araujo*

O começo é sempre difícil para todos. Para nós médicos, entretanto, iniciar a carreira está cada vez pior. A tão esperada formatura e os seus festejos se aproximam e já se impõe uma via crucis: a Residência Médica.

É praticamente sobre-humano conciliar as datas e vencer as distâncias de forma a comparecer nas diversas seleções que são feitas pelo país. E não temos vagas suficientes para abrigar todos esses jovens. O número de vagas em Programas reconhecidos pela Comissão Nacional de Residência Médica atualmente equivale a pouco mais de 25% do número de egressos. Além disso Residências estão sendo fechadas pelo desencanto com algumas especialidades. E mais escolas médicas abrem pela irresponsabilidade, pelo mercantilismo e a passividade deliberada de autoridades. Isso demonstra que o cenário tende a piorar.

E o que faz um(a) médico(a) jovem que não conseguiu se classificar em uma Residência? PSF? Plantões? Sub-empregos? Serviço Militar? É bom repetir, isso está acontecendo com mais da metade dos recém-formados e é preciso que se tenha uma visão muito clara disso. Para os afortunados, por fim a Residência Médica! Encerra-se a comemoração e inicia a realidade.

Muito embora se reconheça um valor na expressão “é trabalhando que se aprende”, muitas situações podem e devem ser revistas: a sobrecarga de trabalho, a falta de orientação, o completo abandono. Sem dúvida alguma, há Serviços que oferecem um Programa de Residência, não por vocação ao ensino, mas apenas para a viabilidade assistencial da instituição.

Em muitos locais, é a própria negação das necessidades básicas do ser humano: da afetividade, da convivência social e familiar, do repouso, da alimentação, etc. Isso também é preocupante e há necessidade de vigilância. Finalizada a Residência, para muitos a história das provas se repete, pois foi cumprido apenas o pré-requisito, falta chegar `a tão almejada especialização!

Isso é inimaginável em outras profissões. Mais dois ou três anos, depois de toda essa batalha. São os(as) obstinados(as) que abdicam do conforto, do início de uma vida regular, da organização de uma família para enfrentar novamente todo o périplo. E o estabelecimento no mercado de trabalho? Aí o grande desafio! Isso lembra um velho adágio: “nada está tão ruim, que não possa piorar”.

Muitos desses(as) colegas passam a disputar espaço com aqueles que nem chegaram `a especialização e se obrigam a atuar em qualquer atividade, sem qualquer relação com o que se preparou. O acesso ao mercado se acompanha de enormes obstáculos. Mais sub-emprego, mais concursos, a luta por credenciamento, etc. E como é a recepção dos colegas já estabelecidos e organizados em Sociedades, nos hospitais, nas clínicas, nos planos de saúde.

Isso também precisa ser acompanhado e discutido. Por essas e inúmeras outras razões, que se demonstram injustas ao jovem médico, é que o Conselho Federal de Medicina decidiu criar um espaço para que essas questões sejam discutidas. Foi criada a Comissão de Integração do Médico Jovem, espaço no Portal Médico, uma comunidade no Orkut, estão sendo consultadas as Sociedades de Especialidades e espera-se criar um calendário de avaliações.

Que os interessados e os envolvidos se manifestem, para que se possa pelo menos tentar minorar este cenário não muito otimista para os(as) nossos(as) jovens colegas!

* É conselheiro federal representante da Associação Médica Brasileira (AMB).

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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