Escrito por Josival Pereira*

Registramos, na coluna de hoje, e-mail do pessoense João Rodolfo Cavalcanti Andrade de Araújo, estudante do 12º período do Curso de Medicina da Universidade de Pernambuco.

“Caro Josival Pereira,

Falam tanto que a profissão médica é um sacerdócio, é bonita, é altruísta, mas não se lembram que o médico é feito de carne e osso, também adoece, tem problemas pessoais e?procura trabalhar como qualquer outro profissional (com seus direitos e deveres assegurados pela constituição).

Cadê a dignidade do médico? Sem material, sem infra-estrutura, sem salários compatíveis e dignos, sem condições, até mesmo sem saúde, pressionado, intensamente cobrado e humilhado? Esse é o perfil do médico que trabalha no SUS.

Gostaria de informar que a senhora que faleceu semana passada e que foi motivo de muita comoção, inclusive nacional, faleceu a caminho do Hospital de Emergência Targino Maranhão, dentro do carro do SAMU. Portanto, não houve omissão médica, pois ela já chegou morta ao hospital e havia médicos de plantão no momento.

O CRM-PB já havia enviado um ofício (Ofício CRM-PB nº 818/2007) dia 10 de Julho deste ano solicitando audiência com a Secretária de Saúde do Município, Sra. professora Roseana Barbosa Meira, relatando a “dimensão da gravidade?que se alastra por diversas áreas da saúde em nosso Município”, no que foi negada.

Os médicos também são seres humanos e como todo profissional têm o direito de reivindicar seus direitos através de greve (com 30% do efetivo trabalhando e dentro da lei, como o foi), principalmente quando o motivo desta greve é aumentar nosso ridículo, ultrajante e humilhante salário e as condições de trabalho.

Bem, eu pago ao lavador de carro, Seu João, no estacionamento do H.U. R$ 6, para que ele lave meu carro apenas por fora, o que gasta em média 20 minutos. Se considerarmos que seu João lave 2 carros por hora, em 8 horas, terá ganho R$ 96. Seu João é analfabeto, tem 54 anos e nenhum filho. Um médico cirurgião cardiologista leva?no mínimo 11 anos para terminar o curso e as residências de cirurgia geral e cirurgia cardiovascular, trabalhando extenuantemente todo esse período, virando noites em plantões, ou estudando, sem lazer, e ganha R$ 76?para realizar uma cirurgia que pode durar 8, 10 horas, com a responsabilidade de manter vivo o paciente que adentrou o bloco cirúrgico.

Sem desmerecer o trabalho de seu João, você acha justo essa remuneração????????????????????????

Por fim, entristeço-me e não acho justo?quando, no calor da situação,?jogam sobre os médicos a pecha de vagabundos, irresponsáveis ou assassinos, pois muito ao contrário do que fazem os últimos, os médicos lutam até sua própria morte pela vida.”

* É colunista do Jornal Correio da Paraíba.

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