Escrito por Cid Carvalhaes*

O Brasil é marcado por desigualdades e desequilíbrios. A desigual distribuição de renda gera miséria, que gera doenças. O desigual desequilí br io na relação médico/população gera quadros preocupantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a média ideal é de um médico para mil habitantes. Para servir a uma população de 187 milhões de habitantes (Fonte:IBGE) há aproximadamente 300 mil médicos, ou seja, mais de 110 mil médicos a mais.

O problema é que, enquanto em alguns bairros no br es das grandes cidades, a relação é de um médico para cada 200 moradores, nas regiões distantes dos grandes centros, a relação chega a ser de um médico para cada dez mil pessoas.

As responsáveis pela formação de um enorme contingente de médicos são as dezenas de faculdades de medicina que surgiram nos últimos anos, a maioria particulares, que não têm as condições necessárias à formação de um profissional qualificado.

São faculdades que não oferecem residência médica para seus alunos e contam com quadro de professores nem sempre capacitados para preparar e inserir o novo profissional no mercado de trabalho.

É a indústria dos cursos de medicina. Já são 27 cursos no Estado de São Paulo e 151 no Brasil, formando aproximadamente 15 mil médicos por ano. A lei da oferta e da procura é inexorável.

Diante de muitos médicos para poucas vagas, os serviços públicos que contratam médicos, em sua maioria, pagam salários aviltantes e oferecem condições de trabalhos inadequadas.

Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), revela que quase um quarto dos municípios br asileiros, a maioria de pequeno porte, não conta com uma infra-estrutura capaz de atender adequadamente a população na área da saúde básica, ou seja, em mais de 1.300 cidades br asileiras a saúde básica é ruim.

Os que trabalham em consultórios acabam sendo vítimas das operadoras de planos de saúde que exploram o trabalho dos profissionais da área e dos prestadores de serviços de forma absurdamente mercantilista.

Apesar de todas as lutas das entidades representativas dos médicos, há planos de saúde que continuam pagando menos que R$ 10,00 por uma consulta. É menos do que muitos pacientes pagam para deixar o carro estacionado, enquanto vão ao consultório. Vivemos em ilhas de excelência capazes de concorrer e até superar grandes centros de saúde do mundo.

Tudo em contraste com bolsões de miséria que ostentam po br eza, capazes de ganhar das regiões mais po br es do planeta. É um quadro onde há saúde rica para os ricos e saúde po br e para os po br es.

O que já é bom pode ser melhorado, aperfeiçoado. É o caso dos tratamentos de alta complexidade, cirurgias cardiovasculares, neurológicas, transplantes de órgãos, diagnósticos por métodos gráficos, de imagens e registros fisiológicos os mais sofisticados.

No caso da prevenção e tratamento das Doenças Sexualmente Transmissíveis, as DSTs, o Brasil é referência mundial. Mas o que mais aparece nos cenários nacional e internacional são as nossas mazelas, representadas pelas verminoses, que se alastram pelos quatro cantos do país, epidemias de dengue, sob o olhar complacente dos que se dizem grandes autoridades da saúde e filas em hospitais e a mbulatórios públicos com doentes, muitos deles em estado grave, mendigando atendimento.

Isso sem falar nas doenças que estão voltando como a esquistossomose, a recrudescência dos casos de tuberculose e a hanseníase. A saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado.

No papel tudo funciona. Na prática, o cidadão não consegue exercer o seu direito e a responsabilidade do Estado é transferida para a iniciativa privada, cuja lógica é a da lucratividade desmedida e abusada.

Por outro lado o SUS, o maior plano de saúde do mundo, sofre com o descumprimento da lei que determina as porcentagens que o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras deveriam investir na saúde pública.

Valorizar a formação e o trabalho do médico é valorizar o paciente, o ser humano. É preciso ficar atento aos que fazem de conta que não enxergam a realidade br asileira. Se por um lado, as fontes pagadoras não reconhecem o trabalho médico, os pacientes o fazem de uma forma às vezes emocionante.

Tenho ouvido em minhas andanças pelo Brasil histórias de pessoas que fazem questão de externar sua gratidão de diferentes maneiras. Algumas levam familiares para conhecer o médico que curou. Outras aproveitam a habilidade que têm para fazer uma peça de tricô e a oferece carinhosamente àquele que conseguiu amenizar suas dores.

E há as que simplesmente agradecem e oram para que Deus continue nos auxiliando. Apesar de todas as dificuldades o médico br asileiro não se esqueceu do juramento que fez a Hipócrates, o pai da medicina.

Continua fiel à ética, ao voluntarismo e ao trabalho humanitário, fazendo da medicina a arte de salvar vidas, dando atenção às queixas do paciente, considerando-o como uma pessoa que precisa de atenção e carinho e não apenas como um doente que quer tratamento.

Recente pesquisa colocou o médico como a instituição mais confiável no Brasil. Tenho visto muitos médicos que, mesmo enfrentando dificuldades, conseguem freqüentar Simpósios e Congressos no Brasil e em países desenvolvidos, para se manterem atualizados.

E não desistem. Lutam para melhorar a qualidade de vida das pessoas e atuam politicamente para exigir dos chefes de executivo, vereadores, deputados e senadores que cumpram com suas promessas de campanha.

Se o seu médico é um desses, você tem o que comemorar neste dia 18 de outu bro, o dia do Médico.

* É médico e advogado, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo e Secretário de Imprensa e Divulgação da Federação Nacional dos Médicos.

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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