Escrito por Otacílio Sant´Anna Júnior*

No dia 18 de outubro, é comemorado o Dia do Médico. Como se sabe, a data foi escolhida em homenagem a São Lucas, evangelista médico, padroeiro da Medicina e consta como dia do santo pela tradição litúrgica.

Quem acompanha um pouco o noticiário, percebe que a saúde e a pauta sobre a falta de médicos ganham cada vez mais destaque na imprensa nacional. E por que isso acontece? Afinal, que querem os médicos?

O entrave da falta de médicos passa por questões estruturais, que começam no rápido avanço populacional que tivemos no Brasil em pouco mais de três décadas; passando pela desigualdade da distribuição dessa população, da renda, legislações trabalhistas, tributárias, formação médica, infra-estrutura e remuneração do médico; ao imediatismo e ingerência de um sistema político do nosso País.

Mas, deixando um pouco essas questões macro, que merecem bons e profundos debates na Imprensa, tentarei responder de modo bem simples ao título desse artigo.

Lemos nos classificados de jornais e até há casos de faixas espalhadas por cidades da nossa região, por exemplo, anúncios de vagas para médicos nas mais diversas especialidades. Imagino que as pessoas devem pensar que realmente não há médicos suficientes em nossa região.

Na verdade, essa idéia é falsa. O que há pura e simplesmente é uma regra na lei de mercado, na qual os profissionais precisam bancar sua casa, seu sustento e, para isso, trabalham em locais (um, dois ou até três empregos) nos quais conseguem suprir essas necessidades.

É complicado e muito arriscado para um médico, por exemplo, trabalhar em condições precárias fazendo o melhor para o paciente e ficar exposto a supostos erros, em função das limitações estruturais do ambiente que não lhe dá suporte para um atendimento digno. Isso pode custar sua carreira e sobrevivência.

Nós, médicos, queremos coisas simples que todo profissional deseja: trabalhar com dignidade, ter o reconhecimento e respeito. Isso implica em algumas bandeiras que travamos atualmente, como a implantação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários nas diversas esferas do Poder Público; a regulamentação da EC 29; a não privatização da saúde; a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) no SUS, salário mínimo para o médico, boa infra-estrutura de trabalho e pasmem: a regulamentação da Lei Original sobre o Ato Médico.

Sim, esta última para mim soa uma ironia. Afinal, a Medicina é uma das profissões mais antigas da humanidade, mas com o tempo foram tantas outras profissões que invadiram nossa área e agora, assim como as demais têm as suas funções especificadas por lei, queremos também a nossa!

Cremos que as nossas reivindicações são justas, afinal, após levarmos em média 10 anos para nos formar, incluindo faculdade e especialização, isso é o mínimo. Além disso, é nosso dever a educação continuada em congressos e cursos, já que a cada dia são descobertas novas tecnologias e procedimentos e nossos pacientes cobram nosso saber com razão. Eles querem o melhor e esse é nosso objetivo. Ou alguém confia num profissional foram de sintonia com as últimas novidades de sua área?

Creio ainda e insisto que o caminho para mudar o atual cenário é a politização da classe médica e da sociedade, nossa grande aliada no clamor de soluções para a saúde pública e privada.

As entidades médicas de todo o Brasil têm trabalhado com afinidade e estão imbuídas do espírito de união e ação na luta por tudo isto aqui exposto. Somos perseverantes e sabemos que as batalhas são duras, mas é justamente isso que nos motiva a erguer a cabeça e seguir adiante.

Agradeço, em nome dos médicos, aos nossos pacientes. Que São Lucas proteja a comunidade médica e nos dê força em nossa labuta diária! Feliz Dia do Médico!

* É médico ginecologista e presidente do Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande.

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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