CRM-AP fiscaliza Hospital no município de Santana Imprimir
Ter, 30 de Abril de 2019 18:18

Paredes com mofo, janelas quebradas, fiação elétrica exposta, coletores de urina e de sangue sendo reaproveitados. Equipamento não adequado para substituir berço aquecido. Extintor vencido. Falta de medicamentos e materiais básicos: como sabão, papel toalha e álcool. Estes foram alguns dos problemas identificados durante uma fiscalização realizada no Hospital de Santana, no Amapá, no dia 26 de abril de 2019.

Os problemas mais graves apontados no relatório estão na pediatria. Dois médicos no prazo de 24 horas, atendem aproximadamente, 250 crianças. Faltam leitos e muitos pacientes ficam internados sobre bancos e cadeiras. “Eu passei a noite com a criança no colo, em cima de um banco. Eu me sinto revoltada”. Esse foi o desabafo da Raylane Martins à equipe de fiscalização.

A maioria das crianças apresentava problemas respiratórios e precisava fazer aerossol. Mas a quantidade de máscaras não era o suficiente para nebulização no momento da vistoria. Funcionários se esforçavam para lavar as poucas máscaras de aerossol disponíveis na unidade. O material estava sendo higienizado apenas com água e sabão. “O sabão foi comprado pela equipe de saúde, senão seria lavado apenas com água”, relatou uma funcionária.

Muitos pais reclamaram da falta de filme de raio-x . A alternativa criada por muitos pais foi o uso da câmera de celular para registrar o resultado do examColetores de urina e sangue estavam sendo reutilizadose. Mas nem todos os pacientes possuem telefone. No momento da fiscalização, três pacientes relataram que conseguiram fotografar o exame de raio-x com telefones emprestados.

Improviso também no laboratório. O microscópio é emprestado. Coletores de urina e sangue estavam sendo reutilizados. “A gente despreza o sangue do tubo, lava e leva pra estufa. Mas os coletores de urina, só são lavados com água sanitária e sabão. Eles não vão para a estufa já que é plástico. É reaproveitado, já que não tem. O que a gente pode fazer?” falou a servidora.

Na UTI neonatal haviam cinco bebês precisando de incubadora e apenas uma estava funcionando, mas de forma improvisada. Os médicos utilizam um vasilhame de plástico, envolvido com papel filme para garantir o aquecimento do bebê de 900 gramas. A Unidade possui apenas dois aparelhos para fototerapia, mas que não têm colchões. Os médicos precisam colocar dois bebês no mesmo aparelho para garantir a saúde dos prematuros. Também falta oxímetro e ventiladores mecânicos. Por falta deste último, em alguns casos, os bebês precisam ser ambuzados (respiração manual).

A falta de medicamentos também foi constada pela inspeção. No carrinho de emergência do posto de enfermagem faltavam adrenalina, aminofilina, fenobarbital, haloperidol, isossorbida, insulina e meperidina. O centro cirúrgico também preocupa os profissionais de saúde. Cirurgias com risco de infecção são realizadas no mesmo ambiente que os partos. A esterilização do material estava suspensa, prejudicando o andamento das cirurgias.

Segundo o presidente do CRM-AP Eduardo Monteiro, constam no relatório 84 irregularidades e 20 recomendações. O documento será enviado aos Ministérios Públicos do Amapá e Federal, Secretaria de Saúde do Amapá, Ministério Público do Trabalho e Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

Fonte: CRM-AP