Participantes debatem realidade das residências médicas no VIII Fórum Nacional de Ensino Médico Imprimir
Qua, 06 de Setembro de 2017 08:20

A secretária-executiva do Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), Rosana Leite de Melo, defendeu mudanças nas regras de autorização para a criação dos cursos de especialização na área médica e o cumprimento das normas vigentes. “Esses cursos não garantem o título de especialista para o médico, que pode vir a ser punido pelo CRM caso anuncie uma formação que não tem”, enfatizou. Rosana Melo foi conferencista do VIII Fórum Nacional de Ensino Médico, promovido pelo Conselho Federal de Medicina(CFM) em Brasília. O evento começou ontem (5) e continua hoje (6). 

Em sua apresentação, a secretária-executiva da CNRM explicou como se estruturou a residência médica no Brasil, desde a criação dos primeiros programas, passando pelo decreto 8.028/77, que criou a CNRM, até o decreto 8.516/15, que dá à Comissão Mista de Especialidades, composta por representantes do CFM, da CNRM e da Associação Médica Brasileira, a competência para definir as especialidades médicas. Mostrou, também, as diferenças entre os cursos de residência médica e as especializações. Enquanto os primeiros são caracterizados como pós-graduação com treinamento em serviço, com um mínimo de 60 horas semanais por dois anos, com regulamentação, supervisão e certificação pelo Ministério da Educação, as especializações devem ter apenas 360 horas, não oferecem ambiente de prática e não passam por supervisão e certificação do MEC. Acesse aqui a apresentação de Rosana Melo.

Competências – Em seguida, a diretora-secretária da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Márcia Hirome Sakai, abriu a mesa redonda sobre “Residência x especializações médicas”, falando sobre a “Importância da matriz de competência dos programas de residência médica”. Márcia defendeu que esse tipo de matriz permite uma melhor adequação às mudanças na educação, na saúde e no trabalho, traz uma maior integração entre a teoria e a prática, melhora os cenários de ensino-aprendizagem e permite uma avaliação formativa e somativa, entre outras vantagens.

Países como o Canadá e regiões como a Andaluzia, na Espanha, já adotam as matrizes por competências nos cursos de medicina. No Brasil, os cursos de residência em cirurgia cardiovascular, neurocirurgia, anestesia, patologia, cirurgia plástica e da área de atuação de radiologia intervencionista e nuclear também estão estruturados nesse modelo. A apresentação pode ser acessada aqui.

A coordenadora pedagógica do Curso de Desenvolvimento de Competência Pedagógica para a Prática da Preceptoria – ABEM/SGTES/OPAS, Lia Silveira, falou sobre sua experiência na estruturação do curso para preceptores, que inicialmente foi oferecido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e depois foi ampliado para outras instituições. “O preceptor é um educador de alta complexidade, pois ensina cuidando, e cuida ensinando”, definiu. Até agora, mil profissionais já fizeram o curso de preceptoria e a demanda é grande por novas oportunidades. “No primeiro curso que oferecemos, perguntamos o que esses profissionais queriam e todos responderam que era capacitação pedagógica”, disse. Veja, aqui, a apresentação.

O último palestrante da mesa redonda foi o presidente da Comissão Estadual de Residência Médica de São Paulo, Adnan Neser, que falou sobre a avaliação da residência médica. Neser explicou que a partir de 2006 foi instituído um sistema de avaliação sistemática nas residências, que inclui provas práticas e mensuração de atributos éticos e de relacionamento com a equipe e os pacientes, além de pontualidade e outros fatores. “O problema é que está no papel, mas poucos executam”, criticou.

Além dos critérios atuais, ele defendeu outras formas de avaliação, como o Mini Exercício Clínico Avaliativo (Mini-CEX) e o Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE). Também defendeu que os critérios de avaliação sejam claros, objetivos e disponibilizados para o residente, o que evitaria a judicialização que existe atualmente quando alguém é reprovado. Acesse aqui a apresentação

O VIII Fórum Nacional de Ensino Médico continua hoje com uma mesa redonda sobre o Revalida e uma conferência sobre a Faimer Brasil. A transmissão ao vivo pode ser vista daqui.

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