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Artigos
A obesidade é problema de saúde pública
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Michelle França*


A questão do excesso de peso e obesidade tornou-se, nos últimos anos, um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Apesar do aumento da incidência da doença e dos problemas relacionados, o excesso de peso ainda não é abordado de forma adequada. A avaliação do peso deve fazer parte da rotina de atendimento já na infância e as orientações para prevenção do ganho de peso e , quando necessário, perda de peso deve ser prioridade. Só para se ter uma idéia, estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) mostrou que os gastos do SUS (Sistema Único de Saúde) com pacientes obesos são equivalentes à quase 5% das despesas totais do sistema. O material aponta também que cerca de 8% das hospitalizações de homens e mulheres são associadas ao excesso de peso.

Na Inglaterra, outro estudo - Tackling Obesity in England (Combatendo a Obesidade na Inglaterra) – demonstrou que o tratamento direto da doença custa cerca de 500 milhões de libras ao país. Além desse valor, mais de 2 bilhões de libras foram gastos na terapia de doenças relacionadas, como problemas do coração e diabetes. Os números são alarmantes e comprovam a necessidade do acompanhamento médico e tratamento precoce. A obesidade, cada vez mais, deve ser considerada um problema de saúde, já que pode levar a um guarda-chuva de complicações, como diabetes, problemas circulatórios, respiratórios e até cardiovasculares.

Hoje, com o aumento de peso da população, os países devem se preparar para atender a crescente demanda de doenças relacionadas. No Brasil, segundo a última pesquisa do IBGE, 40% dos adultos estão acima do peso e mais que 10% da população é obesa. As principais causas desse aumento de peso são o alto consumo de alimentos gordurosos e a falta de atividade física.

A medicina preventiva tem hoje papel fundamental para evitar as doenças relacionadas ao excesso de peso. Pessoas que têm propensão à obesidade devem adotar hábitos saudáveis como uma dieta equilibrada com menor consumo de alimentos gordurosos, exercícios físicos regulares e procurar um especialista. Perder de 5 a 10% do peso melhora os fatores de risco para doença cardiovascular, diminui a pressão arterial, as taxas de glicose e o colesterol, além de trazer outros benefícios para a saúde.


* Michelle França é médica pós-graduada em endocrinologia e metabologia pela Universidade de São Paulo (USP).

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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A arte de educar bem
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Silvana Martani*

 

É interessante observar as crianças, seus movimentos, suas ações, sua forma de encarar a vida.Tudo para elas é muito simples, muito calmo e ao mesmo tempo muito urgente e agora. Tudo é o que parece, sem nenhum subterfúgio, sem segundas intenções, sem medo, livre e franco. Aprendem a ver o mundo devagar, olham a vida limpa, se encantam com tudo e se dão todas as chances. Criança é um poço de honestidade até quando faz o que não deve, não negam seus sentimentos, xingam com vontade, não fazem o que não querem e nunca estão preocupadas com que os outros estão pensando. Para ela os outros não pensam nada.

A responsabilidade para as crianças é uma coisa superficial, das tarefas delas cuidam os adultos e são eles que dizem o que elas devem fazer e, quando acham que está bom elas fazem, se não, se recusam ou negociam (estas certamente sabem crescer). O que norteia a vida das crianças é emoção e o prazer. Para elas não importa muito se está certo ou errado o que estão fazendo, o que importa é o que aquele sentimento lhe causa, lhes proporciona. Por isso quando gostam, gostam demais e quando não, odeiam. Crescer é um exercício complicado, envolve aprendizado constante, alegrias e sofrimentos. É como se elas tivessem uma antena parabólica ligada o tempo todo ou uma banda larga plugada em um mundo que precisa ser descoberto e vivido.

Estar com as crianças é rever a própria estória que não pode ser contada de qualquer jeito, pois neste caso o ouvinte é muito atento e exigente. Sim criança é exigente. Não ouve besteira ou incoerência sem reclamar, sem dizer que está errado ou que não entendeu, não faz média com ninguém apesar dos adultos entenderem que as crianças são as rainhas desse tipo de comportamento. Na verdade o adulto “ensina” a criança a chantagea-lo quando ele cede a um pedido choroso ou melado, a ser inconveniente quando não o repreende, a ser inadequada quando não sabe dizer ou sustentar um não.

A maioria dos pais vêem a educação e criação dos pequenos como uma tarefa, uma função, mas é muito mais que isso. Estar com as crianças não é só trabalho braçal, é renovação, aprendizado e além de tudo terapêutico. É terapêutico brincar, passear, conversar, observar, ouvir e educar. Tudo depende da forma como encaramos o papel de pais, como lidamos com essa responsabilidade, qual o peso que damos a isso. A maioria dos pais “carrega” essa responsabilidade com muita angústia, com muito medo de errar, mas as crianças têm o poder de mostrar muito rapidamente o que estamos fazendo de errado e sempre nos dão tempo de acertar.

A angústia dos pais, seu estresse somado a necessidades de preparar seus filhos para serem adultos competentes contamina a educação como um todo e pode levar ao naufrágio todas as boas intenções. Os pais conhecem seus filhos e os filhos nos dão sempre o caminho que temos que percorrer para educá-los. Os mais pacatos precisam de mais tempo, gostam de refletir e precisam de calma para lidar com eles, os mais afoitos são apressados, podem deixar tudo pela metade e precisamos acamá-los e os desligados crescem em outro tempo, precisam de ajuda e tempo para acompanhar os outros de sua idade.

Seja como for cada personalidade reage de uma forma e os pais precisam acreditar nisso e tentar entender e quem sabe acompanhar. Um descompasso entre pais e filhos pode gerar toda sorte de comprometimentos na criança ou adolescente como resposta e pedido de ajuda. Os problemas mais comuns são: depressão, baixa de auto-estima, aumento da agressividade, baixa de rendimento escolar, além de angústia, ansiedade e tantos outros que somados dificultam não só a relação em família, mas toda a vida deste indivíduo. Se olharmos para a vida com um pouco mais de calma, se usufruirmos melhor do pouco tempo que temos de lazer, tarefas simples como trocar uma fralda ou preparar um lanche, contar uma estória ou ouvir uma música com o filho adolescente e até mesmo conversar no carro enquanto levamos as crianças à escola podem se tornar momentos muito divertidos e relaxantes.

Nosso maior inimigo e agora das crianças e jovens também é a pressa, o mau humor, o cansaço, a necessidade de sucesso, de dinheiro e de novidades. Porém nenhuma doença faz mais vitimas do que o estresse e, se não podemos viver sem ele, precisamos negociar e quem sabe nossos filhos possam nos ajudar nessa tarefa, pois eles ainda sabem o que nós já esquecemos.


*Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia do Hospital Real Beneficência Portuguesa desde 1984.


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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Tratamento do câncer infantil na América Latina
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Silvia Brandalise*


“Nas últimas duas décadas, como resultado de um esforço internacional de pesquisadores, as chances de cura para as crianças com câncer alcançaram níveis de 70%, através do uso de protocolos terapêuticos ajustados de acordo com os grupos de risco das doenças, além das melhorias das medidas de suporte a estes doentes. As crianças e adolescentes com câncer devem ser tratados em Centros Especializados em Oncologia Pediátrica, onde se garantem toda a infra-estrutura para diagnóstico, tratamento quimioterápico, radioterápico, cirurgia, suporte nas intercorrências clínicas, suporte psico-social e reabilitação. Estas conquistas da filosofia do cuidado multiprofissional altamente especializado, em Centros de Câncer Infantil e dos elevados índices de cura, foram uniformes nos países do primeiro mundo.

Na América Latina, através de esforços pessoais, grupos de médicos, principalmente localizados nas capitais e grandes cidades, conseguiram quebrar o paradigma de que a maioria das crianças latino-americanas com câncer estavam sentenciadas para a morte. Desde 1985, as chances de cura para a leucemia linfóide aguda estavam em 70% em vários estados do Brasil, no Chile e na Argentina.

Significativas melhoras nas porcentagens de cura também foram paulatinamente alcançadas para outros tipos de câncer pediátrico. Não é fato desconhecido a enorme desigualdade do cuidado da saúde da criança em nosso mundo. Entretanto, na América Latina, do México até a Patagônia, as grandes discrepâncias sociais se refletem fortemente nas políticas de saúde pública. Em vários países ainda existe uma medicina discriminatória, como no México e na Colômbia, por exemplo, onde somente 40% e 60% das crianças com câncer são, respectivamente, cobertas pelo seguro social.Na Argentina, 30% das crianças com câncer ficam desamparadas do cuidado médico.

Entretanto, em outros países, como Brasil, Cuba e Chile, todos são iguais perante a lei, com a garantia do acesso igual e universal a tratamento médico, independente da raça, religião, sexo, nível social, etc. O alicerce da atenção médica pública é a mais relevante estrutura para estabelecer um programa efetivo de combate ao câncer infantil nestes países.

Em todo Brasil há 172 centros pediátricos que cuidam de crianças com câncer (www.tabwin/datasus/ms) e que funcionam em estreita parceria não só com o governo (Ministério da Saúde), mas também com cerca de 200 ONGs que colaboram com o transporte, alojamento, alimentação e suporte emocional às crianças e adolescentes com câncer e suas famílias. São as conhecidas Casas de Apoio, distribuídas de Norte a Sul no Brasil.No Chile há 13 centros credenciados para oncologia pediátrica e 5 organizações comunitárias. Cuba tem 9 centros creditados ligados a um programa nacional de câncer pediátrico.

A sobrevida livre de doença para as crianças destes países é ao redor de 70%. Resultados semelhantes são obtidos na Argentina, na Venezuela e no México para aquelas crianças cobertas pelo seguro social. Adicionalmente, colaboração internacional entre países do primeiro mundo e alguns países da América Latina, como Honduras, Bolívia, El Salvador, Guatemala e Equador, tem permitido melhores resultados no tratamento do câncer.

As profundas discrepâncias entre os 25 países da América Latina nos obrigam a uma complexa análise quanto aos aspectos epidemiológicos, o diagnóstico, tratamento e sobrevida da criança com câncer. Embora os estudos de base populacional nos forneçam dados completos sobre a incidência e a sobrevida de crianças e adolescentes com câncer em Cuba, Chile, Costa Rica, Colômbia, Porto Rico, Brasil e, mais recentemente, na Argentina, estes dados faltam em vários outros países. Os registros de Informação do ACCIS (Automated Childhood Cancer Information) da Organização Mundial da Saúde (WHO/IARC) não estão disseminados e distribuídos na América Latina.

Com a finalidade de desenvolvimento das pesquisas na busca das causas do câncer da criança e para avaliar o progresso do tratamento no cuidado do paciente dentro do enfoque de base populacional, é necessário e recomendado que se construa um banco de dados para a América Latina. Dois terços das crianças com câncer são oriundas dos países em desenvolvimento, onde elas estão mais sujeitas a carcinógenos ambientais, a infecções, além das diferentes interações com fatores étnicos (genéticos, farmacogenéticos).

O pleno conhecimento destas questões tem o grande potencial de melhorar nossa compreensão sobre os diferentes mecanismos desta doença. Considerando especificamente os dados do Brasil, entre os 16 registros de base populacional publicados pelo Instituto Nacional de Câncer (2003), selecionamos oito deles com períodos mais longos de seguimento. Hoje o Brasil tem 22 registros de base populacional implantados em diferentes estados da federação. A seleção dos 8 registros (Belém, Campinas, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Goiânia) distribuídos de Norte a Sul do País, mostra um perfil de incidência distinto de acordo com os diferentes estados. Comparando com Europa e Estados Unidos vemos 2 pontos de realce:

1º - A incidência de tumores cerebrais é menor no Brasil. Provavelmente isto não decorre de sub-diagnósticos, principalmente pela falta da disponibilidade de exames de imagem (tomografia e ressonância nuclear magnética). As cidades dos registros mencionados disponibilizam, no mínimo, a tomografia para os doentes.

2º - Em crianças e adolescentes brasileiros temos aumento significativo na incidência de carcinomas, cânceres mais prevalentes em adultos. Possivelmente fatores ambientais podem ser responsabilizados pela maior proporção deste tipo de câncer no Brasil. O conhecimento das variações geográficas da incidência do câncer pediátrico na América Latina poderá ajudar os cientistas a responderem questões sobre o câncer da criança, fornecendo dados para elucidar mecanismos celulares e genéticos de proliferação, diferenciação e regressão do câncer na infância.”


*Silvia Brandalise é pediatra oncohematologista e docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas.

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Um inimigo silencioso pode matar você
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo*


A população está alarmada com a epidemia de Dengue. Dados recentes dão conta de que foram registrados, no decorrer desse ano, milhares casos da doença, com várias mortes. O medo se justifica, já que todos conhecemos alguém, amigo ou familiar, que contraiu a doença. Ao menor sinal de infecção, deve-se procurar um serviço médico para orientações e para a confirmação do diagnóstico visando ao tratamento adequado.

As medidas de prevenção devem ser tomadas por toda a população, e as autoridades da saúde (municipais, estaduais e nacionais) estão demonstrando um esforço considerável para conter o mal. Mas há outro inimigo mais perigoso rondando por aí. Enquanto a Dengue ocupa as manchetes, ele ataca sorrateiro. E, assim, comendo pelas beiradas, a morte cardíaca súbita ceifa milhares de vida no nosso meio.

Os números são bem alarmantes que os da Dengue: de todas as mortes que ocorrerem no país a cada ano, cerca de 30% são por causas cardíacas. E dessas calcula-se que a metade ocorre subitamente. Enfim, enquanto a Dengue faz tanto barulho, a morte súbita contabiliza milhares de mortos no Brasil todo... E, mesmo assim, quase não se fala no assunto.

Continuando a analogia com a virose, é muito comum lembrar de um amigo ou parente que tenha falecido subitamente. As causas para a morte súbita podem ser variadas, embora estejam relacionadas à aterosclerose. Para combatê-la, a prevenção é fundamental - detecção de hipertensão, diabetes, colesterol, etc. Até aqui, parece haver semelhanças entre a Dengue e a morte súbita. Mas, se no caso da infecção a pessoa acometida tem tempo de procurar um serviço médico, se ocorre uma parada cardíaca, a chance de chegar a um hospital é mínima. O tempo, nesse caso, é crucial. A cada minuto em parada cardíaca as chances de sobrevivência diminuem em 10%. Assim, se a pessoa não for atendida em, no máximo, 10 minutos...

Daí a importância da desfibrilação precoce. Algumas cidades têm, pelo menos, certas leis que tratam disso, como as que obrigam que locais de grande concentração tenham um desfibrilador. No entanto, as leis não bastam. Precisamos conhecer o inimigo para lutar contra ele com todas as armas.

A desinformação é um terreno fértil para a falta de ação, assim como a água limpa e parada é para a proliferação do Aedes aegypti. Por isso, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas promoveu no dia 12 de novembro o I Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita. Em todo o país foram mobilizados serviços de saúde especializados em arritmias cardíacas, visando a divulgar dados e, se possível, a sensibilizar a população para as medidas preventivas e para ações que visam a atacar o problema.

Um país que busca indicadores de saúde dignos de nações desenvolvidas não pode deixar que um problema tão sério esteja por aí, assombrando silenciosamente a população e atacando impunemente e de maneira sorrateira. Vamos sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014, portanto, temos condições de mudar o jogo, mas nada conseguiremos se não houver a participação de todos.

*Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo foi diretor de Regionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).


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Primum Non Nocere
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Ednei José Dutra de Freitas*


Algo inédito na história da Medicina brasileira foi a publicação, no GLOBO (10/01), e outros veículos de imprensa do "alerta às autoridades", denunciando a insensibilidade e inoperância dos governos municipal, estadual e federal, evidenciada pela falta de médicos na rede pública, tornada inevitável pelos baixos salários (R$ 1.300 ,00 mensais por vinte horas semanais), ressaltando a situação particularmente grave no Estado, onde as mudanças foram de fachada. Na nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro alerta que os médicos poderão paralisar as atividades com o respaldo ético do Conselho.

Isso significa que o atendimento médico, no SUS, chegou a tal degradação que a atenção ao paciente, no momento, deixou de ser um meio de cuidar, curar, tratar e reabilitar, e transmutou-se em iatrogenia, o que viola o mais importante preceito hipocrático para o exercício da profissão: "Primum non nocere" (Antes de tudo, não fazer mal - ao paciente).

A nota, resultante de judiciosos e longos estudos de pareceres, de visitas de conselheiros do CREMERJ aos diversos hospitais da rede pública, foi emitida após profundo e doloroso julgamento dos autos pela Câmara Técnica de Ética Médica do Conselho.

Seu teor não orienta apenas os médicos, mas incita implicitamente os usuários do SUS a constituírem movimentos organizados que obriguem as autoridades a consertar o sucateamento dos serviços públicos de Saúde e devolver-lhes a dignidade perdida, principalmente no ano de 2007, e que se continua em 2008. Mais do que ninguém, são os usuários do SUS quem têm melhores cacifes para reverter esta desastrosa situação, desde que o façam com organização, boas lideranças, mas sem violência, e com persistência, quer seja em manifestações de rua e outras que consigam quebrar a insensibilidade dos políticos, quer seja eliminando tais insensíveis gestores de Estado através das urnas, esmerando-se em votar em representantes e partidos que apresentem histórico de vidas limpas e engajamento na luta pela promoção sustentável do cidadão, asssim como pela educação das massas carentes e oprimidas.

O Conselho Regional de Medicina e os médicos não têm como ganhar sozinhos esta batalha.


*Ednei José Dutra de Freitas é psiquiatra e psicanalista, ex-professor de Psiquiatria e Psicologia Médica na UERJ e autor do livro Psicofarmacologia Aplicada à Clínica.

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