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Artigos
A solução para a saúde: criação de distritos de saúde
Seg, 06 de Agosto de 2018 15:22

Escrito por João Hélio Rocha*

 


Um Plano Nacional de Saúde (PNS), experimentado há 49 anos nas microrregiões de Nova Friburgo (RJ), Barbacena (MG) e Mossoró (RN), a partir de 14/12/1968, foi encerrado em 09/01/1971 sem uma análise mais aprofundada dos resultados médico-assistenciais, que ficaram esquecidos. A inovadora e sui generis metodologia operacional e o seu valioso know-how possibilitaram colocar um cartão de acesso nas mãos de cerca de 500 mil habitantes dos seus 49 municípios em apenas três meses. A adesão foi imediata: bastou a população saber que não iria mais enfrentar fila. Descobrimos, em pesquisas, que os métodos operacionais do PNS foram silenciosamente copiados da primeira cooperativa médica, a Unimed de Santos, que os adaptou aos propósitos do Ministério da Saúde.

Descrevemos, no único relatório presencial existente, como o Sistema Único de Saúde (SUS) poderia aproveitar os vários resultados positivos, atualizando-os, levando em conta não apenas os avanços da medicina, mas principalmente as transformações demográficas, sociais, econômicas, políticas e da Ciência da Computação ocorridas no país nesses últimos 49 anos.

Apresentamos uma proposta de atuação para o funcionamento do SUS em distritos de saúde por meio de duas organizações: o Departamento Distrital de Saúde Coletiva, operado pelas secretarias municipais de saúde, e o Departamento Distrital de Saúde Individual, para cuidar da assistência médica, gerido por um Conselho Distrital de Saúde (de viés parlamentarista). A falta de cartão de acesso aos serviços médicos é o ponto fraco do SUS. Associados de plano de saúde não precisam de fila para atendimento porque todos têm esse benefício. Só usuários do SUS não têm cartão de acesso; sujeitam-se a enfrentar tristes filas, de dia e de madrugada, para pegar uma ficha e ser atendido posteriormente, às vezes muitos meses depois.

As transformações que propomos têm origem no levantamento da evolução da assistência médica, documentada nos três primeiros capítulos (47 páginas) da quarta edição do nosso livro Fortalecimento do SUS com a participação do usuário. Do quarto ao sétimo capítulo (44 páginas), relatamos a experimentação do PNS e o seu legado ainda desconhecido pelo Ministério da Saúde e pelas novas gerações de dirigentes de entidades médicas. A proposta é explicada com detalhes nos sete capítulos finais, inclusive com a apresentação de layout de modelo sugerido para a criação do Cartão Nacional de Assistência Médica, que despertaria na população o mesmo entusiasmo com seu uso ocorrido durante o PNS de 1968 (47 páginas). Bibliografia: 30 fontes. Sugestão de um organograma explicativo encontra-se em arquivo anexo. O livro foi editado pelo autor. Contato: (22) 99833-5769 ou e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Se ninguém fizer nada, nada vai melhorar. Reclamar é fácil.

 

* João Hélio Rocha, 83, é médico em Nova Friburgo (RJ) e pesquisador em Saúde.

  

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.

 
Insegurança epidemiológica
Sex, 03 de Agosto de 2018 15:43

Escrito por Carlos Vital Tavares Corrêa Lima*

 

Após 28 anos, a poliomielite pode voltar a fazer vítimas no Brasil. O alerta é do Ministério da Saúde, que apontou 312 municípios, de diferentes estados, em que a cobertura vacinal está abaixo dos 50% entre crianças menores de um ano de idade. Assim, estes locais são portas de entrada para o vírus dessa doença no País.

O sarampo, outro problema de saúde que também era considerado ultrapassado, voltou a aparecer nos boletins da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Nas primeiras semanas de julho, o Brasil enfrentava surtos, com os diagnósticos confirmados de 677 casos e outros 2.724 em investigação. As ocorrências estavam distribuídas em seis estados: Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, sendo as maiores incidências no Amazonas e em Roraima.

Além dessas duas situações específicas, há preocupação com os números da tuberculose, do HIV e da sífilis, incluindo a sua forma congênita. De acordo com os indicadores oficiais, a taxa de incidência da sífilis entre gestantes aumentou de 3,7 para 11,2 a cada mil nascidos vivos entre 2010 e 2015. O crescimento superou os 200%!

No caso da sífilis congênita, a situação é muito grave. As taxas foram de 2,4 para 6,5 casos para cada mil nascidos vivos, no mesmo período. Em 2015, houve cerca de 40 mil ocorrências desse tipo de manifestação da doença. Os óbitos decorrentes também cresceram de forma expressiva, com uma taxa de mortalidade de 7,4 casos para cada 100 mil nascidos vivos.

Esses dados colocam o País em estado de alerta. Há nítidos sinais de insegurança epidemiológica que exigem uma urgente ação por parte do Governo, com o apoio das entidades médicas, da sociedade civil organizada e da população em geral. A reação intempestiva pode ter sérias consequências com impacto sobre a saúde de milhões de brasileiros, em especial das crianças e adolescentes mais pobres e vulneráveis.

Assim, cabe às autoridades o dever de assegurar o acesso da população às vacinas e medicamentos, bem como de organizar campanhas de imunização em grande escala. No caso da sífilis e do HIV, que atingem os recém-nascidos, é fundamental reforçar a qualidade do pré-natal na rede pública, garantindo às gestantes consultas com médicos e a realização de todos os exames necessários.

Por sua vez, os pais e demais responsáveis devem contribuir com esse esforço nacional de prevenção, levando as crianças para serem vacinadas e adotando as medidas de precaução preconizadas.

Os médicos brasileiros estão atentos e dispostos a participar dessas ações, como têm feito ao longo das décadas, ajudando inclusive o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado pelo Ministério da Saúde, a ser considerado uma referência internacional.

Nesse contexto atual de insegurança, a realidade da epidemiologia brasileira é apenas um dos sinais da crise que atinge a assistência da saúde pública nacional, sem orçamento adequado, com péssima infraestrutura e com equipes profissionais subdimensionadas e desvalorizadas.

A saúde do povo é um elemento fulcral ao desenvolvimento sustentável da Nação, portanto as soluções dos seus problemas são prioridades, por seus valores intrínsecos e para diminuição das desigualdades sociais, na perspectiva de um futuro melhor no País.

 

Palavra do Presidente publicada na edição n. 280 do jornal Medicina. Acesse aqui a publicação.

 

 
A política de atenção à saúde do homem está esquecida
Seg, 23 de Julho de 2018 15:11

Escrito por Kaique Antônio Moreno Leão de Azevedo*

 

Lançada oficialmente em 2009, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) representou um passo importante, visto que os homens sempre foram compreendidos com certa singularidade na saúde pública. A PNAISH determinou diversos eixos nos quais a ação conjunta do Estado e dos profissionais de saúde possibilitasse o entendimento integral do homem dentro da atenção básica, tornando-o foco de uma política ampliadora de caráter psicossocial. A estratégia foi incorporar esse grupo a uma discussão em que se pudesse compreender suas fragilidades dentro de um contexto no qual somente crianças, mulheres e idosos tinham atenção do sistema de saúde. Os homens se habituaram a se restringir às unidades de saúde por considerarem dispensáveis os exames de rotina, o rastreio das doenças que poderiam os acometer e até procedimentos que, de alguma forma, possam insultar sua masculinidade. Os tempos mudaram e as mulheres estão cada vez mais empoderadas; os homens já não são mais os responsáveis pelo sustento financeiro da família como antes e isso torna a realidade bem diferente de alguns anos atrás.

Essas discussões sobre gênero chegaram até a saúde pública por meio de grandes movimentos sociais e políticos e, nesse contexto, permitiram que políticas fossem ampliadas e modificadas para se adequarem a essa nova realidade. No entanto, os homens passaram a também fazer parte de um foco social no qual suas questões biológicas seriam levantadas a uma discussão de ordem nacional. A PNAISH teve como principais objetivos atraí-los aos espaços de saúde, analisar suas questões particulares, convidá-los a fazer parte do planejamento familiar e garantir um acolhimento digno, tendo seus direitos sexual e reprodutivo discutidos dentro do campo da saúde.

Na teoria, a PNAISH é uma ótima ferramenta para melhorar ainda mais o acolhimento na atenção básica, visando universalidade, equidade e integralidade, mas sua implantação dentro do sistema público falhou e caminha a passos curtos. Hoje não há qualquer investimento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) para preparar as unidades básicas sobre as questões dessa política. Muitos profissionais e gestores sequer a conhecem, com suas diretrizes e seus objetivos. Não há a divulgação de cartilhas nem o conhecimento da existência dela por parte dos homens. As unidades básicas não oferecem estrutura, muitas vezes, para o acolhimento correto de manejo desse público e para sua compreensão integral, e os profissionais acabam não zelando por suas preocupações, pois geralmente os homens são vistos apenas como acompanhantes dentro das unidades.

Embora haja compreensão de sua importância, a PNAISH peca quando não deixa claros os meios corretos para sua implantação. Oferece, sim, uma gama de objetivos, mas falha na instrução dos profissionais e gestores e, muitas vezes, não há sequer um material didático para distribuição à população.

Enquanto não há essa implantação coerente, os homens ficam restritos a problemas urológicos, deixando de lado os outros agravos. Há também a falta de dados sobre a quantidade de indivíduos que realizam consultas e exames, o que não facilita um melhor planejamento para tornar a política uma prioridade de saúde.

É preciso maior incentivo aos profissionais, aos gestores e aos homens. Necessita-se de investimento na adequação para as realidades locais, preparação e habilitação para o exercício das diretrizes e, principalmente, enxergar as dificuldades que fazem com que os homens deixem de ir às unidades de saúde. É preciso uma maior resolubilidade sobre os fatores que acometem a saúde masculina, deixando de lado a pretensão de tratar os homens como um grupo homogêneo que apresenta os mesmos agravos e as mesmas queixas.

 

* É graduando em medicina pela Faculdade Governador Ozanam Coelho (Fagoc) em Minas Gerais.

 

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

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Três tipos de médico
Seg, 23 de Julho de 2018 11:29

Escrito por Evaldo d’Assumpção*

 

Com mais de meio século de vivência médica, posso afirmar que nossa profissão é composta de três tipos de médico, os quais descrevo a seguir, suscintamente.

O médico por vocação é aquele que sempre quis ser médico e desde criança nunca titubeou em afirmar seu propósito. Passaram-se os anos e ele percorreu, com persistência, os caminhos para alcançar seu objetivo. Formado, recebeu o diploma como a realização de sua vida. Dedicou-se com afinco ao seu trabalho, exercendo a profissão com empenho, pois aliviar sofrimentos, curar doenças e salvar vidas não tem dia nem hora marcada. Cuidou dos enfermos e consolou seus parentes com total dedicação e carinho. Soube ouvir os que sofrem e seus familiares, cuidando para nunca demonstrar cansaço, menosprezo ou desatenção. Nesse processo sacrificou seus ganhos financeiros, valorizando mais o cuidar do outro do que a si próprio. Chamado de idealista, às vezes até pejorativamente, mas isso não o abala. Sua vocação é sua convicção. Feliz, mesmo enfrentando dificuldades e desconfortos, é MÉDICO, totalmente escrito com maiúsculas.

Já o profissional tem a vocação para a medicina somada à obstinada preocupação de ser o melhor. Todavia, sua força propulsora vem de denodada busca por fama e fortuna. Trata com perícia seus pacientes, mas impõe sempre uma rotina de trabalho que lhe permita oportunidades de reconhecimento e renumeração. Sua disponibilidade para os enfermos é limitada ao necessário para a execução do seu trabalho. Logo forma uma equipe, o que não lhe é difícil pela notoriedade conquistada e pela pletora de médicos recém-formados. Logo transfere a parte rotineira e burocrática para seus assistentes, tornando-se quase inacessível aos clientes uma vez ultrapassada a fase crítica do tratamento. Aos auxiliares caberá a parte supostamente secundária. Daí as constantes queixas de que ele é competente, porém difícil de ser contatado pelos clientes e familiares. Sempre está com a agenda lotada ou viajando para congressos e reuniões médicas, dando aulas, apresentando trabalhos. Isso lhe dá notoriedade e generosos espaços na mídia, tudo proporcionando-lhe polpudos rendimentos e posição privilegiada nos ambientes que frequenta. Quase sempre é, sem dúvida, um ótimo profissional médico, mas como humanista hipocrático fica muito a desejar, sendo alvo cobiçado e fácil para espertos advogados e clientes insatisfeitos.

O oportunista nem sempre tem vocação para a medicina. Geralmente o que tem é um pai, um tio ou um sogro médico, ou então um mecenas que possui hospital, clínica, laboratório ou qualquer estrutura médica já montada, na qual ele terá um emprego garantido, fazendo-o supor que não haverá obstáculos a vencer. Geralmente forma-se em uma escola de medicina de segunda ou terceira categoria, com poucas exigências. Tampouco lhe importa uma boa residência, uma sólida formação numa especialidade. Só lhe interessa o diploma que legalizará o seu futuro e, depois, o dinheiro que irá ganhar, não se incomodando com o que e como irá fazer para tal. São os que mais contribuem para a péssima qualidade da assistência médica que impera em nosso País, pelo quase total desprestígio dos bons profissionais dessa área e pela judicialização cada vez maior da medicina.

Cada um, ao se olhar no espelho, saberá bem onde se situa.

 

* É médico e escritor.

  

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Qualidade na vida dos que cuidam da vida
Sex, 06 de Julho de 2018 08:57

Escrito por Rosimara Moraes Bonfim*

 

Escrevendo este artigo em fevereiro, já estamos observando as diversas manifestações sobre comemorarmos o Dia da Mulher, em 8 de março. Permeando as discussões na mídia sobre segurança pública e qualidade dos serviços de saúde se deteriorando, surgem aqui e ali comentários sobre um trabalho científico intitulado Estudo da mortalidade dos médicos no estado de São Paulo: tendências de uma década (2000-2009), desenvolvido e publicado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que revela dados alarmantes: os médicos em geral morrem mais cedo que o restante da população, principalmente as médicas! Alerta preocupante, que chamou atenção em especial pela época na qual está sendo publicado.

Análise mais apurada dos dados obtidos, ressalvando-se as limitações citadas no próprio artigo, temos como causas básicas de óbito na profissão em primeiro lugar as neoplasias e, em segundo, as doenças cardiovasculares nas mulheres; e nos homens, doenças cardiovasculares em primeiro e as neoplasias em segundo. Ou seja, doenças diretamente relacionadas aos hábitos de vida. Já discutimos anteriormente o estresse na profissão, crescente preocupação nossa, em especial pelos estudos recentes demonstrando evidências claras de burnout não só nos médicos já em exercício profissional, mas também nos residentes e nos estudantes de medicina.

Chama atenção também o fato de entre médicos a taxa de suicídio ser quase quatro vezes maior que a da população em geral, aqui se ressaltando a elevada incidência entre as médicas. Dados comparativos com um estudo de Santa Catarina, da Polônia e da Dinamarca também tendem aos mesmos resultados. Mas afinal, o que está acontecendo com essas profissionais? Podemos inferir que a baixa qualidade no tocante aos cuidados com dieta e exercícios – pela falta de tempo –, a sobrecarga de trabalho e gestão das deficiências do sistema público, as limitações de convênios e as cobranças exageradas, mesmo de pacientes de clínica particular, geram um estado constante de estresse e demandam muito tempo dos profissionais de ambos os sexos. Além disso, nas mulheres há culturalmente a expectativa de serem mais compreensivas e passivas, atendendo às demandas também emocionais dos pacientes e de demais membros da equipe de saúde, ou seja, esperam da médica o papel muitas vezes de amiga, filha, mãe e confidente. Por outro lado, há ainda a cultura da mulher ter que provar sua capacidade, realizando as suas tarefas de forma “mais bem-feita” e, assim, provando que tem a mesma capacidade do homem, trazendo estresse adicional ao seu exercício profissional. Quando sai do trabalho, há sua jornada no lar, na qual tem minimamente o papel de administrar a casa e os auxiliares que tiver para a gestão da família, o que frequentemente não cobrado do médico. E muitas vezes ela é a executora dos cuidados a todos, desde refeições até acompanhar atividades escolares. Se ela não é mãe, muitas vezes os familiares e amigos não médicos esperam algum cuidado especial, demandando também atenção. Não sobra tempo para o lazer ou exercícios, há restrição do sono e outros aspectos. Esses fatores somados podem também explicar o índice maior de suicídios entre médicas em comparação aos médicos. Como dispõem de conhecimento técnico mais apurado, optam por essa via extrema de maneira mais silenciosa que as mulheres não médicas e, assim, fica tarde para serem socorridas.

Um dado igualmente relevante é a limitação do profissional de medicina em procurar ajuda, especialmente nos casos de depressão e sobrecarga emocional: acostumados a serem considerados “fortes” e ainda em uma cultura que discrimina pacientes buscando ajuda com profissionais de saúde mental, os médicos naturalmente tendem a não procurá-la, havendo muitos casos de depressão, burnout e outros quadros sem o diagnóstico e o devido tratamento.

O próprio estudo chama atenção a todos esses aspectos, em especial à necessidade de mais pesquisa e investimento na qualidade de vida: oportunidades de atividade física, evitar tabagismo e etilismo, mais lazer, descanso apropriado e melhoria na dieta, no ambiente de trabalho e nas relações são elementos frequentemente citados no consultório e esclarecidos aos pacientes diariamente, mas não são praticados pela classe médica. Assim, a qualidade de vida dos profissionais de medicina também pede socorro. Fica aqui o alerta, em especial às médicas!

 

* Cirurgiã plástica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e diretora de assuntos profissionais da Associação Médica de Governador Valadares (AMGV).

 

 

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