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Artigos
Uma urgência de saúde pública
Sex, 29 de Julho de 2016 13:31

Rodolpho Telarolli Jr.

 

No dia 26 de abril foi comemorado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, data que chama a atenção para um dos problemas de saúde pública mais sérios do século XXI. A hipertensão arterial – ou simplesmente pressão alta – é uma epidemia que ocorre em todo o mundo, em consequência de mudanças no estilo de vida e na alimentação.

Entre 20 e 25% da população brasileira adulta é hipertensa, resultado do consumo excessivo de sal, da obesidade e do sedentarismo, que elevam os níveis da pressão sanguínea. Um indivíduo obeso tem uma chance até seis vezes maior sofrer de pressão alta.

Mais de um terço dos brasileiros morrem de doenças do sistema circulatório, principalmente de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais ou derrames, problemas decorrentes, entre outros fatores, da hipertensão, que provoca uma série de outras injúrias. O sangue circula com mais força, sobrecarregando o coração e a parede das artérias, danificadas com o passar dos anos.

Essa situação favorece a deposição de placas de gordura nas artérias, que se tornam mais estreitas, até ocorrer um infarto ou derrame. Outros órgãos dependentes da circulação de muito sangue também são prejudicados e sofrem danos, como olhos, rins e pênis. As consequências são perdas de visão, mau funcionamento renal – inclusive com a necessidade de hemodiálise – e a impotência sexual.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de até cinco gramas de sal ou 2,4 gramas diárias de sódio, componente do sal cujo excesso provoca a pressão alta. O brasileiro consome, em média, 12 gramas diárias de sal, o que corresponde a aproximadamente 5,8 gramas de sódio – elemento presente em quase todos os alimentos, inclusive em bolos, doces e chocolates.

O combate à hipertensão esbarra no fato de se tratar de uma doença silenciosa, assintomática, a não ser quando ocorrem os picos de pressão, que provocam mal estar geral, tonturas e dor de cabeça. A grande dificuldade encontra-se na seguinte situação: como convencer alguém a modificar hábitos pessoais por causa de uma doença quase invisível, que não provoca sintomas? Padrões de alimentação fazem parte da cultura de cada povo, sendo hábitos herdados dos antepassados, e mudanças nessa área são sempre penosas. E o sal, ao lado do açúcar, é um dos componentes alimentares mais prazerosos para pessoas.

Modificações nos hábitos pessoais e alimentares são indispensáveis para melhorar o padrão de saúde da população. Se o Brasil seguisse as recomendações da OMS para o consumo de sal, haveria uma queda de 15% nas mortes por derrames e de 10% por infartos. Mudanças simples, como retirar o saleiro da mesa de refeição, ajudam a reduzir o consumo de sal. Cozinhar em casa, utilizando menos ingredientes industrializados, também ajuda. Conferir o teor de sódio nas embalagens dos alimentos industrializados é medida poderosa no combate à pressão alta: alguns alimentos industrializados muito consumidos são campeões nos teores de sódio e devem ser evitados, como macarrões instantâneos, salgadinhos de saquinho e sanduíches das redes de fast-food.

O governo federal tem centrado o combate à hipertensão arterial na distribuição gratuita de medicamentos contra a doença pelo programa Farmácia Popular. Porém, mesmo dispondo do medicamento, muitos o utilizam da maneira errada, tomando os comprimidos apenas quando acreditam que a pressão está alta; na verdade, o produto deve ser ingerido todos os dias, e somente o médico pode receitar ou alterar a dose de um medicamento para pressão alta.

No entanto, muito mais é necessário. Campanhas na mídia estimulando mudanças no estilo de vida, através da prática regular de exercícios físicos e da redução no consumo de sal, são exemplos de medidas possíveis. Pelo seu papel multiplicador nas famílias, destaca-se também o trabalho educativo permanente com as crianças e adolescentes do ensino fundamental.

 

Rodolpho Telarolli Jr. é médico, doutor em Saúde Coletiva e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara.

 

 

    

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

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Maconha medicinal não existe
Sex, 29 de Julho de 2016 13:27

Antônio Geraldo da Silva
 

 
Recentemente, o Brasil entrou para o rol dos países que autorizam a prescrição e manipulação de medicamentos à base de canabidiol e tetrahidrocanabinol (THC), princípios ativos da maconha. Na prática, o THC também passou a ser regulamentado. Antes, o componente só era permitido de maneira secundária, ou seja, quando estava presente em algum medicamento com composição permitida. O assunto foi discutido no National Institutes of Health (NIH) e ainda estamos longe de um consenso médico sobre o tema.

Como médico e psiquiatra, afirmo categoricamente que maconha medicinal não existe, apesar de muitos acreditarem no contrário. Como qualquer droga ilícita, a maconha ocupa grande espaço no imaginário da sociedade e vem ganhando uma imagem de benignidade sem uma fundamentação científica confiável. A verdade é que classificar a maconha como droga leve ou terapêutica é ingênuo e errado.

Muito já se escreveu sobre os malefícios da maconha inalada na forma de fumo, mas a maioria desses trabalhos não deixou claro o suficiente para o público em geral que o potencial lesivo associado à maconha depende, especialmente, de dois fatores: início do uso na adolescência e frequência e quantidade de uso. No primeiro caso, o uso da substância terá maior chance de interferir no desenvolvimento cerebral, prejudicando a eliminação de conexões neurais em desuso e o desenvolvimento da substância branca, formadora dos “cabos de transmissão” de sinais no cérebro. No segundo, quanto maior ou mais potente a dose usada, mais THC será absorvido. Essa substância atua nas áreas do cérebro envolvidas na regulação das emoções.

Há quem fume maconha e não sofra nenhum dano, mas muitas pessoas vivem situação oposta. Há indícios de que o uso da droga piora quadros psiquiátricos comuns, como esquizofrenia, depressão e bipolaridade. O uso contínuo da maconha pode levar ao aparecimento de transtornos psicóticos dentro de dois e sete anos, em média. O risco de desenvolver esquizofrenia, por exemplo, é duas vezes maior em relação aos não usuários.

Embora o mecanismo da ação da maconha na produção de psicose não seja ainda bem compreendido, não há surpresa nessa associação. Os efeitos transitórios e agudos do uso da droga são muito semelhantes aos sintomas de psicose, incluindo déficit de memória e cognição, além de distorção de estímulos externos. Durante o efeito, os usuários frequentemente experimentam dificuldades de aprender coisas novas e de recordar algo, e essa experiência pode ainda ser ampliada para pensamentos delirantes e alucinações. É comprovado que o uso da substância pode desencadear as primeiras crises graves de alguns transtornos mentais, alterando a história natural de pacientes que poderiam viver ilesos a riscos transmitidos geneticamente.

Pode até ser que o THC e o canabidiol tenham algum efeito no tratamento de epilepsia ou esclerose múltipla, mas ainda o melhor da ciência não é capaz de afirmar com segurança. O próprio Food and Drug Administration nunca aprovou o uso clínico desses dois componentes da maconha. A discussão, portanto, é urgente. Antes de chegarmos a uma conclusão, é preciso que as autoridades disponibilizem mais informações sobre o assunto. Somente a partir daí será possível que a população debata o tema com mais propriedade e com a atenção merecida.

 

Antônio Geraldo da Silva é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

 

 
    

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

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A saúde e o populismo
Ter, 19 de Julho de 2016 15:15

Carlos Vital Tavares Corrêa Lima*

 

De acordo com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), as perdas que têm afetado o Produto Interno Bruto (PIB) e a renda das famílias, assim como o crescimento do índice de desemprego, têm graves consequências, em curto prazo, para os planos e o Sistema Único de Saúde (SUS).

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) calcula que apenas nos primeiros cinco meses de 2016 as operadoras perderam 818 mil clientes, o que significa aumento de demanda na assistência pública à saúde da população.

Milhares de brasileiros, sem condições de pagar seus planos privados de assistência à saúde, migram para a rede pública, já sobrecarregada com imensos problemas de orçamento e de gestão. Diante dessa realidade, o Ministério da Saúde propõe a instituição de planos populares, que não reduzirão os custos a serem agregados às despesas do SUS, em face de um maior contingente de pessoas carentes.

Sem resolubilidade, além da exclusão dos doentes crônicos e dos idosos, tais planos serão limitados a consultas ambulatoriais, a exames subsidiários de menor complexidade, e não evitarão a procura pela rede pública ou impacto prejudicial ao financiamento desse sistema.

De fato, a autorização da venda de “planos populares” apenas beneficiará os empresários da saúde suplementar, setor que movimenta algo em torno de R$ 125 bilhões por ano, já dotado dos privilégios da renúncia fiscal no cálculo do imposto de renda, de isenções tributárias, créditos, empréstimos e extensos parcelamentos de dívidas.

Por outro lado, continuam a prosperar medidas populistas na área da saúde, como a proposta de prorrogação do período de permanência no Brasil de 7 mil dos mais de 11 mil profissionais trazidos de Cuba para atuar no Programa Mais Médicos, com o envio de bilhões de reais para o exterior por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), de modo incoerente com as atuais circunstâncias de recessão econômica no País.

Entre 2013 e 2015, dos R$ 5,3 bilhões alocados para o custeio do Mais Médicos, R$ 3,6 bilhões foram repassados para Cuba, ou seja, 67% de tudo o que foi gasto com o Programa. Até maio de 2016, dos R$ 2,9 bilhões previstos para a iniciativa, mais de R$ 700 milhões já saíram do País, pouco menos de 30% do orçamento a ser executado neste ano.

Não se trata apenas de verbas remetidas ao exterior e que poderiam aquecer a economia de nossos estados e municípios, mas de temerária administração do erário, posto que relatos do Tribunal de Contas da União (TCU) contestam os resultados do programa alardeados pelo Governo.

O TCU concluiu, por exemplo, que em 49% dos primeiros municípios atendidos pela iniciativa houve redução no número de médicos após a chegada dos intercambistas.

Propostas como a do Mais Médicos e a de criação de “planos populares de saúde” servem aos interesses intrínsecos ao populismo. Apropriam-se e distorcem legítimos desejos e anseios da sociedade, vulnerável à publicidade e à propaganda características das políticas partidárias de causas menores. Essas não são condutas esperadas pelo povo brasileiro na expectativa de um novo governo e de uma nova cultura de proficiência, eficácia e probidade na Nação.

 

* É presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Palavra do Presidente publicada na edição 257 do Jornal Medicina (acesse aqui a publicação).

 
Casa comum, nossa responsabilidade
Sex, 15 de Julho de 2016 13:30

Dom João Inácio Müller*

 

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5, 24). Eis o desejo de Deus, pela boca do profeta Amós. E isso é possível? Sim, é possível! Deus nos criou, criou a Mãe Terra capaz de alimentar todos os seus filhos, e com saúde. Parece-me que nós, pessoas, estamos vivendo contra a lógica da vida: não cuidamos do mundo, nossa casa comum, não cultivamos o jardim de Deus.

Neste ano de 2016, celebramos uma Campanha da Fraternidade Ecumênica com o tema “Casa Comum: nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. O objetivo geral desta campanha é “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenhar-nos, à luz da fé, por políticas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

O saneamento básico é um direito humano fundamental, e requer a união de esforços de todos; inclui os serviços públicos de abastecimento de água, o manejo adequado dos esgotos sanitários, das águas pluviais, dos resíduos sólidos, o controle de reservatórios e dos agentes transmissores de doença.

Alguns dados para você se sensibilizar, buscar mais informações e criar novos hábitos:

– O maior problema do saneamento básico hoje é a fome;

– Uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável, por falta de redes de esgotos e por falta de higiene;

– 18% da população brasileira ainda não têm acesso à água tratada. Mais de 100 milhões de brasileiros não possuem coleta de esgotos;

– No mundo, um bilhão de pessoas fazem suas necessidades a céu aberto;

– Na América Latina, as pessoas têm mais acesso aos celulares do que aos banheiros.

O saneamento básico não é um detalhe na vida. É necessidade imperativa para que nós, filhos de Deus, possamos ter a vida saudável que Deus quer para todos. Por isso, nosso Papa Francisco insiste tanto no direito aos três T: terra, trabalho e teto.

A Campanha da Fraternidade 2016 propõe um olhar mais amoroso para o planeta e para a natureza, criando, assim, uma consciência fraterna, e lembrando que nossos recursos são limitados e precisamos cuidar bem deles para que possamos viver bem. Cuidemos do ambiente e das pessoas!

 

* Bispo da diocese de Lorena (SP) e articulista da Revista Canção Nova

 
    

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

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(De)formando Médicos
Sex, 15 de Julho de 2016 13:27

Vinicius dos Santos*

 

Ingressar em uma instituição pública de ensino superior que seja referência na formação de ícones da assistência à saúde da nossa população é a maior aspiração de qualquer estudante da área. Entretanto, enquanto acadêmico de Medicina da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), o sonho movido pelo sentimento altruísta de um futuro exercício profissional por amor e dedicação, com o objetivo de construção de uma sociedade melhor, encontra-se abalado; no mínimo, fragmentado. Eu e os demais discentes vivenciamos problemas tão graves no ensino-aprendizagem que problematizamos: a nossa instituição está formando ou deformando médicos?

É inegável a atual conjuntura de precariedade do ensino médico no Brasil, mas somos testemunhas de que a UNEB tem se destacado na gravidade dos problemas de gestão e amarras relacionadas a instâncias estaduais das quais depende para a melhora da qualidade do seu tripé, negligenciado por motivos óbvios, de ensino/pesquisa/extensão na seara médica:

– INEXISTÊNCIA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO (hospital ensino/escola). Para agravar, não se tem notícia de vínculos firmados com as próprias instituições estaduais de assistência para as práticas dos alunos de Medicina. A primeira turma da universidade está no 8º semestre, e até o momento a UNEB segue sem instrumentos vinculatórios com unidades de saúde capazes de garantir o campo de prática para o Internato (dois últimos anos do curso de Medicina).

– FALTA DE PROFESSORES. Eis outra triste realidade do quadro acadêmico de Medicina da UNEB. Infelizmente, todo semestre que se inicia nos provoca ansiedade e medo porque é comum turmas ficarem sem professores. Acabamos torcendo para que nossas disciplinas sejam as de menor déficit. Faltam professores, por exemplo, de Semiologia Médica, Patologia Médica, Medicina Legal, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Obstetrícia, entre outras, por ausência de concursos públicos para docentes efetivos e raríssimas autorizações de seleção via Regime Especial de Direito Administrativo (REDA, ou seja, vagas para professores substitutos que, em verdade, não geram real interesse nos bons pesquisadores por sua vinculação temporária e natureza precária);

– INSUFICIÊNCIA DE SALAS DE AULA. Esse problema vergonhoso e inadmissível leva-nos, por vezes, a participar de aulas em espaços inadequados e até em corredores da universidade por falta de salas;
– AUSÊNCIA DE EQUIPAMENTOS NOS LABORATÓRIOS de Anatomia, Fisiologia, Histologia e Bioquímica, o que compromete a compreensão e o preparo dessas disciplinas básicas, alicerces da formação de todo profissional de saúde;

– FALTA DE LABORATÓRIO DE HABILIDADES MÉDICAS, indispensável ao aprimoramento e à realização de práticas de conhecimento médicos, pelas quais o acadêmico de Medicina deveria iniciar a sua aprendizagem do exercício profissional;

– DEFICIÊNCIA NO ACERVO BIBLIOGRÁFICO ESPECIALIZADO, o que, em virtude do grande número de alunos da área da saúde, envergonha e põe em cheque a construção do próprio conhecimento fomentado na academia.

Mesmo que o art. 205 da Constituição Federal determine que a educação é um direito de todos e dever do Estado (recentemente alcunhado “pátria educadora”), tal conquista ser vilipendiada em instituições públicas de ensino superior é ainda mais preocupante. Questiono-me por que é tão difícil entrar em universidades e ter garantido um quadro satisfatório de professores, salas de aula, livros, campos de práticas, laboratórios (infraestrutura básica que instrumentaliza os discentes à formação de excelência e à aquisição de competências para uma atuação profissional digna), esquecendo-me de que a quantidade vem, infelizmente, suplantando a qualidade no investimento nos futuros profissionais da saúde no atual panorama de inversão de valores do país sem a mínima ponderação.

Ainda que mercantilizar a Medicina seja mais fácil e rentável do que garantir condições de excelência às universidades, sempre haverá quem se posicione de forma contrária, alertando e reivindicando melhores condições de assistência à saúde universalizada de qualidade neste país, no qual só não faltam recursos aos corruptos e corruptores.

Diante dos lamentáveis indicativos de precarização da saúde e educação públicas no Brasil, em cujo contexto o ensino médico baiano se insere, esperamos que este meu fundamentado manifesto não seja apenas mais um dos diversos emanados pela sociedade. Exigimos, em prol do respeito aos futuros profissionais médicos egressos da UNEB, que as instâncias resolutivas do Poder Executivo estadual (governadoria, Secretarias de Administração, Saúde e Educação do Estado da Bahia  e UNEB, em especial) adotem as providências necessárias que regularizem esse quadro vergonhoso aqui apresentado, do qual somos testemunhas.

 

*Acadêmico de Medicina da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Membro da Liga Acadêmica de Fisiopatologia da UNEB. Ativista social no combate à epidemia HIV/Aids – Jovem Liderança – MS/UNAIDS.

 

    

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