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Os reflexos da obesidade na saúde pública e privada
Seg, 29 de Outubro de 2018 11:09

Sandra Franco*


A obesidade é o terceiro ônus social mais caro no mundo, atrás apenas do fumo e da violência provocada pelas guerras e pelo terrorismo. Essa é a afirmação do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva. Ele revela também um dado alarmante: a obesidade custa à economia global mais de US$ 2 trilhões a cada ano, quase 3% do PIB global. Ou seja, é uma grande ameaça para a saúde pública e privada no Brasil e no mundo.

Outro dado relevante é da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), apontando que o sobrepeso afeta 54% da população brasileira. Quase 20% dos homens e 24% das mulheres estão obesas. Entre as crianças menores de cinco anos, 7,3% registram sobrepeso no País.

O contraste desse levantamento relacionado ao custo da obesidade é que, segundo a FAO, há 815 milhões de pessoas morrendo de fome no mundo, ou seja, não sabem se terão o que comer no dia de amanhã ou encerram o dia com nada ou quase nada para comer. No Brasil, o número de pessoas com fome reduziu e muito, graças a alguns programas sociais implementados. Não obstante, a desnutrição começa a dar sinais preocupantes novamente, em razão da crise social, política e econômica do País.

Um estudo recente do Ministério da Saúde brasileiro revelou que, entre 2006 e 2016, a taxa de obesidade cresceu 20%. Hoje, um a cada cinco brasileiros pode ser considerado obeso. Mais da metade dos brasileiros está com sobrepeso, segundo levantamento do Governo Federal.

Tal fato afeta diretamente a saúde pública e privada, que sente o reflexo diário de milhões de pessoas com enfermidades e doenças graves oriundas da obesidade, e não há uma política de prevenção para isso. Na verdade, são poucas e isoladas as ações e programas que incentivam, principalmente na saúde privada, a alimentação saudável e o controle da obesidade.

Divulga-se constantemente na mídia que a obesidade aumenta a incidência de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, respiratórias, osteoarticulares, hipertensão arterial, insuficiência vascular periférica, trombose, cálculo biliar, cálculo renal, distúrbios hormonais, diabete, câncer de rim e câncer hormônio-dependente, como mama, próstata, pâncreas e outros.

Existem em algumas cidades, como o Rio de janeiro, iniciativas legais chamadas de Estatuto da Pessoa Obesa, com algumas diretrizes para auxiliar no controle e combater o avanço da obesidade, mas com foco na discriminação do obeso. O Congresso Nacional também analisa um projeto de lei federal (PL 4.328/2016) para estabelecer uma política nacional. Entretanto, no Brasil, infelizmente há uma cultura de criar leis inócuas, principalmente quando não há um bom gerenciamento de seus objetivos. A lei não é desnecessária, mas tem que acompanhar ações efetivas.

O obeso mórbido pode ser enquadrado como deficiente, desde que assim seja avaliado por equipe multiprofissional e interdisciplinar, de forma a enquadrar-se na definição do texto legal: pessoa com deficiência seria aquela que tem impedimento a longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o que, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.

Para se ter uma ideia da falta de política pública, há casos de pessoas obesas que tiveram o atendimento negado em hospitais e postos de saúde por falta de estrutura mínima e equipamentos apropriados para recebê-los. Existem casos de dentistas sem cadeiras para suportar pessoas com peso elevado, ou hospitais onde os equipamentos de tomografia ou radiografia possuem limite de peso imposto pelo fabricante para seu uso. Logicamente, a negativa de atendimento causa um constrangimento e também uma barreira para essas pessoas.

Se é necessário buscar procedimento cirúrgico pelo SUS para tratar o obeso mórbido (como a cirurgia bariátrica, por exemplo), a espera poderá ser entre cinco e sete anos para ser operado. Muitas vezes o paciente morre antes de conseguir ser atendido.

Quando o assunto é obesidade, é fundamental prevenção e controle, o que implicaria a economia de elevados recursos financeiros destinados ao tratamento da própria doença. É necessário atuar em prol de ações efetivas de prevenção da obesidade, incentivar a alimentação saudável, as atividades físicas e o tratamento de saúde.

A ação é conjunta, entre sociedade e governo, para mudar as crescentes estatísticas. Há uma geração obesa que continuará a onerar os cofres da saúde pública e privada. É preciso encontrar uma saída para essa epidemia do século XXI, dando ao problema o tamanho que ele realmente tem.

 

*É consultora jurídica especializada em direito médico e da saúde, doutoranda em saúde pública, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São José dos Campos (SP) e membro do Comitê de Ética para Pesquisa em Seres Humanos da Unesp (SJC), e presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

  

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.

  

 
A honra e a dignidade dos médicos
Seg, 22 de Outubro de 2018 11:28

Carlos Vital Tavares Corrêa Lima *

 

A medicina é uma das ciências mais antigas desenvolvidas pelo homem. Há relatos da atividade médica na civilização egípcia, na China, na Grécia e em Roma, antes de Cristo.

O termo “medicina” vem do latim “arte de curar” e por definição é entendido pelos dicionários como “a arte e ciência de evitar ou curar doença, ou de paliar seu(s) efeito(s)” (Aurélio, 2010). Ainda pode ser compreendido como “o conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde bem como à prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e afecções” (Houaiss, 2009).

Ao longo dos séculos, a medicina se beneficiou do avanço do olhar científico e incorporou um vasto arsenal de técnicas e procedimentos em busca dos melhores diagnósticos e terapêuticas voltados à preservação do bem-estar, da saúde e da vida do paciente, dos pontos de vista individual e coletivo.

Nesse contexto, o médico é o responsável pelo exercício amplo da medicina, agregando características inerentes à atividade. Pela sua formação e exigências do ofício, desenvolve seu trabalho mesclando, às vezes simultaneamente, características de cientista, técnico e artesão.

É na relação estabelecida com o paciente que o médico tem o elemento-chave que o conecta com sua missão. Como expresso nos Princípios Fundamentais do Código de Ética Médica: “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”.

Infelizmente, a atuação do médico tem sido afetada por circunstâncias exteriores a sua governabilidade, mas com efeitos deletérios graves sobre os resultados pretendidos. Sinais evidentes dessas inconformidades aparecem nas falhas de execução das políticas públicas, que têm limitado seu acesso aos insumos e equipamentos necessários ao cumprimento de sua missão.

A carência de leitos de internação e de UTIs e a fragilidade estrutural dos postos e consultórios – tudo no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) – são exemplos de contextos sucessivamente denunciados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e outros órgãos de fiscalização e controle, sempre com ampla repercussão na imprensa.

Da mesma forma, percebe-se o abuso das operadoras dos planos de saúde, que interferem na autonomia dos profissionais e glosam procedimentos indicados, entre outras ações, também trazendo prejuízo ao exercício da medicina.

A isso agregam-se quadros de remuneração insuficiente (no público e no privado), jornadas exaustivas e exposição a agressões no ambiente de trabalho. Assim, no Brasil, na atualidade, ser médico é sinônimo de um profissional resiliente, capaz de superar, cotidianamente, adversidades que atravessam sua jornada nos serviços de saúde.

Contudo, os problemas – resguardadas suas dimensões e peculiaridades – não são monopólio do Brasil. Como mostra a pesquisa The Truth About Doctors, conduzida a partir de informações coletadas em 16 países (Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Índia, Filipinas, China, Japão, Coreia do Sul e Brasil), há um sentimento global de frustração entre os profissionais da medicina, a partir da percepção de que estão sendo privados de sua capacidade de cuidar e tratar.

No entanto, deve-se ter esperança. Em primeiro lugar, têm sido significativos os ganhos dos médicos no âmbito do Judiciário em ações movidas contra tentativas de invasão de competência. Em sentenças e liminares de magistrados de diferentes instâncias, o ato médico, conforme previsto na Lei nº 12.842/13, tem saído fortalecido, apontando-se claramente o que é de prática exclusiva da medicina. Além disso, as entidades médicas (CFM, Associação Médica Brasileira – AMB, Associação Nacional dos Médicos Residentes – ANMR, Federação Nacional dos Médicos – Fenam e Federação dos Médicos do Brasil – FMB) estão alinhadas e conscientes de seu papel político na defesa da profissão e da sociedade. Essa articulação demonstra força e coesão em torno de uma pauta de reivindicações, tema de debates junto às autoridades, que inclui questões como o fim da precarização dos vínculos de trabalho, a criação de uma carreira de Estado para o médico, a valorização dos profissionais, a prorrogação da moratória para abertura de novos cursos de medicina e a oferta de condições adequadas para o atendimento, entre outros pontos.

Finalmente, é importante destacar que a categoria médica possui um poderoso aliado. Segundo pesquisas de opinião pública, o brasileiro deposita maior confiança e credibilidade nos médicos. Trata-se de um patrimônio inestimável, conquistado pela dedicação e pela competência demonstrados sob qualquer circunstância.

Em outubro, quando se comemora o Dia do Médico, essas são convicções relevantes que mostram a força dos médicos e sua importância para a sociedade, destacando-se sua herança histórica, que torna possível o exercício da medicina com honra e dignidade.

 

* É presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

Palavra do Presidente publicada na edição nº 283 do jornal Medicina. Acesse aqui a publicação.

 

 
Propostas para a saúde do Brasil
Seg, 15 de Outubro de 2018 12:11

Marcelo Queiroga*

 

O direito à saúde se constitui em conquista social inalienável dos brasileiros. O País optou por instituir um sistema de saúde de acesso universal, integral, igualitário e gratuito: o mais ambicioso sistema de saúde de acesso universal do mundo. A Constituição consagrou a saúde como “direto de todos e dever do Estado”, contudo, sua implementação deve decorrer de políticas públicas sociais e econômicas que “visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Os candidatos à presidência deveriam assumir com todos os brasileiros o compromisso inarredável com o aprimoramento contínuo do Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de assegurar a consecução das políticas públicas, na medida máxima do possível, pois o preceito constitucional de acesso à saúde não pode se converter em promessa inconsequente e frustrar as justas expectativas depositadas no Poder Público. A política de saúde do novo governo deveria ter como foco: eficiência na gestão, realização integral do orçamento público da saúde, desenvolvimento do complexo industrial da saúde, criação da Agencia Nacional de Avaliação de Tecnologias em Saúde e, por fim, carreira de Estado para os profissionais do setor.

O compromisso com a eficiência da gestão e o uso correto dos recursos públicos não se restringe à área da saúde, mas, sobretudo na saúde, esse objetivo deve ser perseguido com tenacidade. Não é possível continuar com perdas de vida evitáveis, filas intermináveis nos serviços públicos de saúde e corrupção epidêmica. Para tanto, a gestão deve ser conduzida com rigor técnico e espírito público. O Ministério da Saúde não pode ser loteado para partidos políticos, como assistimos nos últimos tempos. E o novo governante terá que implementar um choque de gestão com melhoria da eficiência dos profissionais de saúde, expansão da cobertura da atenção primária de 65% para 100%, melhoria da eficiência hospitalar e foco no acompanhamento dos resultados das políticas de saúde.

O subfinanciamento do SUS, desde sua implementação, tem sido um dos óbices para o êxito das políticas de saúde no Brasil. Os brasileiros aceitaram, inclusive, apostar na CPMF (contribuição provisória sobre movimentação financeira) para ampliar as possibilidades de financiamento à saúde, mas o objetivo desejado não foi atingido. Atualmente, diante do cenário de desvios epidêmicos verificados na administração pública em geral, não há espaço para exigir esforço tributário adicional da sociedade brasileira. No entanto, o novo governo terá que realizar integralmente o orçamento destinado à saúde, sem cortes, com aumento de oferta do pacote de serviços, sobretudo em decorrência de uma maior eficiência na gestão.

O estímulo à indústria brasileira de equipamentos médicos e hospitalares deveria ser prioridade, com papel importante na garantia do atendimento à população. O desenvolvimento do complexo industrial da saúde atenderia em grande parte o SUS, promovendo inclusive preços competitivos, abaixo dos valores usuais de mercado internacional. Atualmente, grande parte da crescente demanda interna é saciada com importações e, com isso, o saldo da balança comercial do setor é deficitário. O Brasil apresenta um ambiente que pode ser muito favorável ao desenvolvimento da indústria de materiais e equipamentos médicos de relevância global, em particular de dispositivos médicos implantáveis, que atendam totalmente a demanda do SUS e promovam a expansão do atendimento público da saúde no Brasil com produtos de qualidade e tecnologia avançada, com preços competitivos.

Atualmente, um dos principais problemas do sistema de saúde no Brasil é a intensa judicialização que consome parte do orçamento e inverte as prioridades do SUS. É necessário aprimorar os processos de avaliação de tecnologias em saúde com a criação de uma agência nacional de avaliação de tecnologias que confira maior credibilidade ao processo, reduzindo as demandas judiciais.

A adoção da carreira de Estado para os profissionais da saúde, um anseio dos que atuam no serviço público, seria uma possibilidade concreta de equalizar as diferenças decorrentes do gigantismo no Brasil. A eficiência das políticas de saúde decorrem da qualificação dos recursos humanos.

O novo governante precisa olhar de frente os problemas de saúde e elegê-los como prioridade para virarmos de vez essa página e nos tornar referência mundial em atendimento público. Isso é possível, basta vontade política.

 

* Presidente eleito para o biênio 2020/2021 da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

  

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A vulnerabilidade profissional e o alegado erro médico
Seg, 15 de Outubro de 2018 12:07

Herberth Marçal Chaves Moreira *

 

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), erro médico é o dano provocado no paciente pela ação ou inação do médico, no exercício da profissão, e sem a intenção de cometê-lo. A complicação é um evento concernente aos procedimentos médicos e deve ser responsavelmente separada dos procedimentos em que advieram negligência, imperícia ou imprudência, que caracterizam o erro médico.

Há três possibilidades de suscitar o dano e alcançar o erro: imprudência, imperícia e negligência. Como médico perito oficial da justiça atuando em casos de alegado erro médico, entrevejo a cada dia uma máquina indenizatória. A parte Autora aponta negligência, imperícia, imprudência por parte do réu, no caso o médico, e solicitam compensação financeira muitas vezes em valores estratosféricos. O volume de pacientes atendidos diariamente, a falta de recursos terapêuticos, propedêuticos complementares, a imagem negativa veiculada pela mídia diuturnamente, as novelas televisivas em horário nobre de conteúdo sensacionalista e ávidas pelo ibope no que toca ao escopo médico têm contribuído muito para esta indústria reparatória. Também, o número aviltante, vergonhoso de escolas médicas que foram germinadas, brotadas em terreno árido acadêmico, contribuíram para esse evento.

Assim, partindo dessas informações, naturalmente com a corroboração da medicina pericial, no que toca aos processos jurídicos de alegado erro médico, vislumbro que, mesmo estando ancorado na literatura médica pertinente no exame clínico, nos exames complementares, nas documentações médicas acostadas aos autos, nem sempre é suficiente, considerando que a interpretação do juízo não está adstrita à conclusão do laudo médico pericial.

Ainda, não demandaria muitos esforços para constatarmos nos autos que alguns procuradores das partes do alegado erro médico, os quais, diga-se de passagem, não são incautos, tampouco ingênuos, separam bem o joio do trigo, sabem muito bem a diferença entre complicação e erro médico, mas, fisgados pelas destrezas camaleônicas e ávidos pelo capital alheio, usam o proposto dístico erro médico para conseguir vantagem financeira pessoal. Sucede, porém, em outras palavras, em tempos atuais, uma luz reveladora lançada sobre o profissional médico, bem como sobre sua conduta, que é a sua vulnerabilidade.

 

Médico perito da Justiça Federal de Belo Horizonte

   

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A importância do seu voto
Ter, 02 de Outubro de 2018 15:22

José Hiran da Silva Gallo*

 

O Dicionário parlamentar e político define eleitor como o “cidadão brasileiro, devidamente alistado na forma da lei, no gozo dos seus direitos políticos e apto a exercer a soberania popular, consagrada no artigo 14 da Constituição Federal, através do sufrágio universal, pelo voto direto e secreto”.

O texto ressalta ainda uma característica fundamental nesse processo: o valor igual atribuído a cada voto nas urnas eleitorais. Por isso, a consciência da importância da vontade expressa pelos cidadãos deve ser ressaltada. Ela é decisiva para que os eleitores saibam que sua escolha deve ser respeitada, assim como a vontade da maioria manifesta na apuração dos resultados.

Nas eleições desse ano, 147,3 milhões de brasileiros estão aptos a votar. Desse total, 52,5% são mulheres, cuja metade tem entre 21 e 44 anos. Em Rondônia ficam 1.175.733 dos eleitores do País, sendo 334.529 registrados em Porto Velho. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no País, o número de eleitores cresceu 3,14%, ou seja, em torno de 4,5 milhões de pessoas.

Nesse contexto, o estado de Rondônia pode ser considerado um colégio eleitoral modesto, se comparado às dimensões dos existentes em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Contudo, apesar de menos expressivo, lembre-se: cada voto rondoniense tem o mesmo peso das posições declaradas pelos eleitores do Sul ou Sudeste.

Essa equidade traz uma responsabilidade a mais para o eleitor: antes de fazer sua escolha, deve ser feita uma profunda reflexão sobre o que se espera para o futuro, não apenas do ponto de vista individual, mas para todo o País. Para tanto, é necessário analisar os programas e ponderar sobre cada ponto das plataformas de campanha.

Como sabem, tenho interesse especial pela área da saúde. Minha vivência no atendimento dos pacientes me faz entender as dificuldades enfrentadas pela população, pelos médicos e outros profissionais das equipes de apoio na luta diária contra a doença e em busca do bem-estar. Também acredito que uma sociedade saudável – física e mentalmente – é fator indiscutível para o desenvolvimento da Nação.

Nesse sentido, recomendo que o eleitor – pela sua posição privilegiada – avalie com cautela os compromissos expressos pelos candidatos às eleições gerais de 2018 nessa área. Cada menção deve ser analisada, procurando-se identificar a pertinência das ações, suas possibilidades de serem executadas (ou não) e o real impacto positivo para a coletividade.

Nesta análise, é preciso ficar alerta em relação às intenções midiáticas, que têm tudo para ser manchetes, mas, na hora da execução, se mostram impossíveis de virar realidade e, se saem do papel, não trazem o retorno esperado. Da mesma forma, devem ser evitados os discursos genéricos, sem profundidade e baseados no lugar-comum, sem qualquer tipo de planejamento atrelado.

Segundo pesquisa recente do Datafolha, infelizmente, a saúde não ocupa posição de destaque nos planos de governo dos candidatos à presidência. Os analistas avaliam que o excesso de generalizações significa compromissos limitados. Por exemplo, apenas três dos presidenciáveis falam em aumentar recursos para a saúde, porém nenhum explica como vai conseguir isso.

Por sua vez, sete candidatos propõem ampliação dos serviços oferecidos nos postos de saúde, o que incluiria diferentes formatos de atendimento ou de integração com as redes de especialistas. Só que não há menção de custos ou de como os planos seriam operacionalizados. Note-se ainda que as plataformas não falam em como enfrentar as filas de espera pelas cirurgias eletivas e a precariedade dos hospitais públicos, situações que tiram o sono dos pacientes.

Diante desse cenário, sugiro que o eleitor busque parâmetros para fazer suas escolhas. No que se refere às necessidades da área da saúde, é relevante conhecer o Manifesto dos médicos em defesa da saúde do Brasil, elaborado pelas entidades médicas nacionais, dentre elas o CFM. No texto divulgado, os profissionais fazem o diagnóstico da assistência à saúde da população e apontam medidas – simples e exequíveis – que podem corrigir as distorções encontradas.

Dentre as propostas, estão a defesa do SUS; a qualificação da gestão para a melhoria da infraestrutura para atendimento a pacientes; e a criação de políticas de recursos humanos que valorizem médicos brasileiros – estimulando sua migração e fixação em áreas de difícil provimento –, como a criação de uma carreira de Estado sob responsabilidade da União, para médicos que atuam na rede pública.

Para conhecer a íntegra desse documento, acesse propostaspelasaude.com.br. Leia-o atentamente e divulgue para seus amigos e familiares. Na hora de escolher em quem votar, opte pelos candidatos que tenham compromissos com essas mudanças. Não seja um eleitor de cabresto que, conforme explica o TSE, é aquele que vota sem fazer qualquer reflexão, apenas seguindo as instruções de um “cabo eleitoral” ou do “chefe político” local.

Em lugar disso, valorize seu voto, valorize suas escolhas, que devem ser conscientes. Sem dúvidas, essas são atitudes necessárias para que tenhamos um País melhor.

 

* Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina, doutor e pós-doutor em Bioética
 

  

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