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Insegurança epidemiológica Imprimir E-mail
Sex, 03 de Agosto de 2018 15:43

Escrito por Carlos Vital Tavares Corrêa Lima*

 

Após 28 anos, a poliomielite pode voltar a fazer vítimas no Brasil. O alerta é do Ministério da Saúde, que apontou 312 municípios, de diferentes estados, em que a cobertura vacinal está abaixo dos 50% entre crianças menores de um ano de idade. Assim, estes locais são portas de entrada para o vírus dessa doença no País.

O sarampo, outro problema de saúde que também era considerado ultrapassado, voltou a aparecer nos boletins da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Nas primeiras semanas de julho, o Brasil enfrentava surtos, com os diagnósticos confirmados de 677 casos e outros 2.724 em investigação. As ocorrências estavam distribuídas em seis estados: Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, sendo as maiores incidências no Amazonas e em Roraima.

Além dessas duas situações específicas, há preocupação com os números da tuberculose, do HIV e da sífilis, incluindo a sua forma congênita. De acordo com os indicadores oficiais, a taxa de incidência da sífilis entre gestantes aumentou de 3,7 para 11,2 a cada mil nascidos vivos entre 2010 e 2015. O crescimento superou os 200%!

No caso da sífilis congênita, a situação é muito grave. As taxas foram de 2,4 para 6,5 casos para cada mil nascidos vivos, no mesmo período. Em 2015, houve cerca de 40 mil ocorrências desse tipo de manifestação da doença. Os óbitos decorrentes também cresceram de forma expressiva, com uma taxa de mortalidade de 7,4 casos para cada 100 mil nascidos vivos.

Esses dados colocam o País em estado de alerta. Há nítidos sinais de insegurança epidemiológica que exigem uma urgente ação por parte do Governo, com o apoio das entidades médicas, da sociedade civil organizada e da população em geral. A reação intempestiva pode ter sérias consequências com impacto sobre a saúde de milhões de brasileiros, em especial das crianças e adolescentes mais pobres e vulneráveis.

Assim, cabe às autoridades o dever de assegurar o acesso da população às vacinas e medicamentos, bem como de organizar campanhas de imunização em grande escala. No caso da sífilis e do HIV, que atingem os recém-nascidos, é fundamental reforçar a qualidade do pré-natal na rede pública, garantindo às gestantes consultas com médicos e a realização de todos os exames necessários.

Por sua vez, os pais e demais responsáveis devem contribuir com esse esforço nacional de prevenção, levando as crianças para serem vacinadas e adotando as medidas de precaução preconizadas.

Os médicos brasileiros estão atentos e dispostos a participar dessas ações, como têm feito ao longo das décadas, ajudando inclusive o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado pelo Ministério da Saúde, a ser considerado uma referência internacional.

Nesse contexto atual de insegurança, a realidade da epidemiologia brasileira é apenas um dos sinais da crise que atinge a assistência da saúde pública nacional, sem orçamento adequado, com péssima infraestrutura e com equipes profissionais subdimensionadas e desvalorizadas.

A saúde do povo é um elemento fulcral ao desenvolvimento sustentável da Nação, portanto as soluções dos seus problemas são prioridades, por seus valores intrínsecos e para diminuição das desigualdades sociais, na perspectiva de um futuro melhor no País.

 

Palavra do Presidente publicada na edição n. 280 do jornal Medicina. Acesse aqui a publicação.

 

 
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