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Burnout: a síndrome de exaustão no trabalho
Qua, 12 de Abril de 2017 11:05

Mario Louzã*

 

A síndrome de burnout (do inglês, literalmente, “algo que queima até não sobrar nada”), também chamada de exaustão ou esgotamento, vem sendo cada vez mais reconhecida nas diversas profissões, sendo consequência do excesso ou sobrecarga de trabalho, embora não seja ainda reconhecida como doença  pela Organização Mundial da Saúde.

Como o próprio nome diz, a pessoa se sente literalmente exausta, esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho. Burnout provavelmente sempre existiu, basta lembrar das condições de trabalho dos operários durante a Revolução Industrial, no século XIX – as horas diárias de trabalho chegavam a uma média de 16, 18 horas, sem período estipulado de descanso. Ao longo do século XX, leis foram criadas para proteger o trabalhador e regrar a duração do dia de trabalho, os horários de descanso, os dias de folga e a utilização de equipamentos para reduzir o risco de acidentes.

Na atualidade, o uso crescente de recursos tecnológicos mudou novamente o modo de trabalhar; a aceleração da velocidade de comunicação e a integração global trouxeram novamente a demanda por muitas horas de trabalho, em geral sob grande pressão de desempenho. Nessas condições surge novamente a exaustão, caracterizada por desânimo, dificuldade de raciocínio, ansiedade, preocupação, irritabilidade, sensação de incapacidade ou inferioridade, alterações do sono, diminuição da motivação e da criatividade e aparecimento de transtornos mentais e doenças físicas.
Uma consequência frequente é o uso de drogas (álcool e tabaco, além de drogas ilícitas) como forma de alívio. É importante estar alerta a essa situação, que agravará ainda mais a condição física e mental do indivíduo. O mesmo pode ser dito da automedicação.

Além das condições adversas e estressantes de trabalho, algumas características da personalidade são consideradas importantes para o aparecimento da síndrome de exaustão. Pessoas muito competitivas, ambiciosas e com dificuldade para delegar, acabam absorvendo tudo para si, ou seja, tornam o trabalho sua única atividade, e têm maior chance de desenvolver exaustão. Por outro lado, pessoas inseguras e necessitadas de reconhecimento dos outros, com dificuldade de colocar limites e abrir mão de suas próprias necessidades, também estão vulneráveis ao burnout.em, e o que fazer para prevenir a síndrome de exaustão? A primeira e óbvia recomendação é o descanso físico e mental. O equilíbrio entre trabalho, atividades físicas e lazer, como o encontro com amigos, por exemplo, é o primeiro passo. Mudanças de atitudes, de expectativas e de hábitos de vida podem também auxiliar na prevenção.

Nos casos em que a síndrome de burnout já está instalada, recomenda-se buscar auxílio médico especializado, para avaliação do quadro e orientação quanto ao tratamento. Especialmente no caso das pessoas cujas características de personalidade as tornam mais propensas ao burnout, a psicoterapia é um complemento importante, pois o problema está muitas vezes “dentro” da pessoa e não tanto em suas condições de trabalho.

 

* Prof. dr. Mario Louzã é médico psiquiatra, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em psiquiatria geral no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da FMUSP. É especialista em psiquiatria geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Fez doutoramento na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Würzburg, na Alemanha, e pós-doutorado no Instituto Central de Saúde Mental em Mannheim, também na Alemanha. É médico assistente e coordenador do Programa de Esquizofrenia (PROJESQ) e do Programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade (PRODATH) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. É bacharel em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

 

 
    

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