Rede dos Conselhos de Medicina
Selecione o Conselho que deseja acessar:
Observatório do SUS - Pernambuco Imprimir E-mail
Qui, 07 de Julho de 2011 17:32
Avaliação mostra fragilidades do SUS no estado
Falta de instalações adequadas, ausência de políticas de recursos humanos e desorganização da rede de cuidados: problemas são apontados pelo Cremepe.
 
A Política Nacional de Atenção Primária à Saúde (APS) existe como um conjunto de ações feitas por equipes médicas especializadas, que se orienta por princípios como universalidade, integralidade, equidade e humanização. Partindo desse pressuposto, o 2o secretário do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Roberto Tenório, classifica o Sistema Único de Saúde como deficiente.
 
Para ele, existe uma lacuna na esfera estrutural, a começar pela planta física, pois as instalações são bastante inadequadas e há uma falta de leitos nos hospitais. “A maior parte das equipes do Programa de Saúde da Família está instalada em residências alugadas”, afirmou. Tenório ressalta, ainda, que as condições são precárias principalmente no interior de cidades que têm um poder aquisitivo menor, pois acabam se tornando dependentes de repasses federais.
 
Outro problema, segundo Tenório, também relacionado aos programas de saúde primária é a questão dos recursos humanos, principalmente de médicos, visto que não há uma qualificação pertinente desses profissionais. “Eles não têm um perfil que atendam o caráter dos pacientes, pois não têm formação especializada em saúde comunitária, sendo, geralmente, recém-formados ou aposentados”, disse.
 
Complexidades - Uma contradição do sistema, porém, é que o atendimento de alta complexidade se mostra mais eficiente do que o de baixa complexidade (vide APS). Isso porque os pacientes têm atendimento para cirurgias e hemodiálises, por exemplo, de forma mais fácil ou com maior disponibilidade, mesmo com o alto custo que o sistema de alta complexidade pede.
 
Isso acontece, na opinião de Roberto Tenório, porque o atendimento de baixa complexidade funciona de forma desarticulada. “É preciso que haja uma regionalização, a partir de consórcios municipais, para que exista sempre um município-pólo capaz de atender a todos os municípios ao redor”, sugere. Para ele, enquanto isso não acontecer, a assistência à saúde vai ficar dependente do que é ofertado pelas capitais, e o fluxo de pacientes do interior para o Recife vai acabar gerando uma superlotação.
 
Para amenizar esse problema, foram criadas as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), um avanço na questão do atendimento emergencial. Elas descomprimiram a quantidade de pacientes nos corredores dos hospitais de maior porte, como o Hospital da Restauração, Hospital Otávio de Freitas e o Hospital Getúlio Vargas, mas, ainda assim, a demanda continua maior do que a oferta.
 
Novas unidades - Também a construção de dois hospitais gerais - o Miguel Arraes, em Paulista, e o Dom Helder Câmara, em Suape – vieram dar um suporte, principalmente no que tange aos atendimentos seletivos e referenciados, pois os pacientes são encaminhados de outras unidades de saúde. Mas, segundo Tenório, mesmo com a melhora no desempenho do sistema, ainda há uma deficiência de ambulatórios médicos para atendimento de especialidades, o que leva as pessoas a se dirigirem às UPAs.
 
Tendo em vista problemas ocorridos recentemente, como o caso de um bebê que morreu com apenas 3 dias depois de passar por dois hospitais no Recife, Tenório também detecta uma crise obstétrica no Estado. “Como se não bastasse o número reduzido de maternidades, ainda faltam leitos para atender às gestantes”, afirmou.
 
Soma-se a isso a falta de estrutura de alta-complexidade e de UTIs para partos de maior risco, e a carência de pessoas especializadas, ou seja, a pequena quantidade de obstetras, de pediatras e de neonatologistas hoje em dia, que, em número insuficiente, não conseguem suprir as necessidades da demanda.
 
Além dessas especializações, Roberto Tenório também destaca que as de cirurgião e de clínico-geral são falhas em Pernambuco. Isso acontece, segundo ele, “pois há uma distribuição de médicos inadequada, tudo isso junto à baixa remuneração oferecida a esses cargos, o que levam os médicos a quererem se especializar em algo mais rentável economicamente”.
 
Tenório avalia que a questão de recursos como medicamentos e equipamentos, hoje em dia, são mais bem disponibilizados pelos estados e municípios, mas diz que o maior problema ainda é a locação de médicos. Para ele, o que falta é um financiamento mais adequado e gestores mais aplicados, caso contrário, não só Pernambuco, mas o Brasil continuará a ter um gasto em saúde pública menor do que a média per capita de países africanos e sul-americanos.
 
 
Fonte: Assessoria de Imprensa do Cremepe/ Isabela Alves
 
 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner

© PORTAL MÉDICO 2010 - o site do Conselho Federal de Medicina -Todos os direitos reservados
SGAS 915 Lote 72 | CEP: 70390-150 | Brasí­lia-DF | FONE: (61) 3445 5900 | FAX: (61) 3346 0231| E-mail: cfm@portalmedico.org.br | CNPJ: 33.583.550/0001-30

FECHAR X