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Observatório do SUS - Pará Imprimir E-mail
Qui, 07 de Julho de 2011 17:30
Pacientes passam por uma via crúcis para garantir internação  
Bebês viajam horas em busca de assistência e são obrigados a bater de porta-em-porta para ter leito assegurado. CRM-PA discute com gestores formas de enfrentar problemas do tipo
 
 
Os pacientes que dependem do sistema de saúde pública de Belém continuam a ser penalizados pelas condições precárias de atendimento. O Pará apresenta um dos piores resultados na relação entre postos de trabalho médicos públicos e privados por habitantes no Brasil. A Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS) 2010, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, revelou que o Estado possui uma média de 1,7 postos médicos para cada mil habitantes.
 
Sair de barco do município de Ponta de Pedras, na ilha do Marajó, para Belém, significa uma viagem de 12 horas.  Se a pessoa estiver com saúde, talvez ache esse percurso cansativo.  Doente, ele torna-se uma via crúcis para qualquer pessoa, em especial se for um bebê recém-nascido, como foi o caso de Mariane, que, com apenas 12 horas e vida, penou para conseguir internação no início de junho.
 
 De porta em porta - Com insuficiência respiratória e sem atendimento em Ponta de Pedras após o parto, o bebê chegou ao porto de Belém por volta das 18h. Uma ambulância UTI do Samu foi acionada por conta do estado grave do bebê, que foi levado para a Santa Casa, referência em atendimento neonatal no Estado, onde teve sua internação negada.
 
A ambulância ainda bateu à porta do Hospital de Clínicas e da Maternidade do Povo, com 10 leitos de UTI neonatal, contratada há seis meses pelo governo estadual, depois da crise instaurada pelas mortes de vários bebês na Santa Casa. A nova unidade foi chamada para servir de retaguarda ao hospital de referencia, mas isso não impediu que Mariane também não conseguisse a internação esperada.
 
De lá, outra tentativa. O bebê foi levado às pressas para o Pronto-Socorro Mário Pinotti (14 de Março), que não tem atendimento neonatal.  A equipe do HPSM fez novo contato com a saúde estadual para insistir na solicitação do leito de UTI para o bebê, que, depois disso, foi internado na Maternidade do Povo, para onde, na falta de leitos na Santa Casa, o bebê deveria ter sido encaminhado de imediato.
 
Rotina dramática - A cena de angústia de pacientes que chegam do interior se repete todos os dias em Belém.  Nos dois prontos-socorros da capital, o Mário Pinotti (na Travessa 14 de Março) e o Humberto Maradei (no bairro do Guamá), a demanda de pacientes do interior chega a 50% somente em internações. Deste percentual, estão excluídos os atendimentos ambulatoriais, aqueles nos quais os pacientes são liberados em até 12 horas, que elevam ainda mais esse percentual.
 
O problema reside, sobretudo, no estrangulamento da rede básica no interior, onde, segundo dados do Departamento de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Dere/Sesma), muitos municípios não oferecem este tipo de assistência. Para os gestores, o efeito dominó aparece na porta das emergências públicas, lotadas de casos trazidos para Belém e que poderiam ter recebido atendimento perto de caso. A dificuldade de acesso penaliza os usuários e, não raro, contribui para o agravamento dos quadros clínicos.
 
CRM-PA em ação - O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA), Joaquim Ramos, e o 1º-secretário da entidade,  Paulo Guzzo, recentemente, estiveram no Ministério Público do Estado para discutir os problemas da assistência neonatal e perinatal da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará.
 
Também participaram do encontro, Promotora da Saúde, Suely Regina Aguiar Cruz, a presidente da Santa Casa, Maria do Carmo Lobato, e representantes da Secretaria Estadual de Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, da Sociedade Paraense de Pediatria, do Sindicato dos Médicos, do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e a da Promotoria da Infância e Juventude.
 
O objetivo principal da reunião foi avaliar a assistência neonatal e perinatal da Fundação Santa Casa e discutir as causas dos quatro óbitos ocorridos no hospital na semana que antecedeu o encontro. "Não queremos que aconteça o que aconteceu em 2008, quando 40 crianças morreram na Santa Casa. Queremos solucionar o caso da saúde pública no Estado. Como está não pode ficar. Precisamos fazer a saúde funcionar.", disse a promotora.
 
Na ocasião, a presidente da Santa Casa entregou a Promotora da Saúde e ao CRM-PA uma cópia de um relatório sobre o comparativo do 1º trimestre de 2010 com o 1º trimestre deste ano. "O relatório aponta que em 2010 a Santa Casa fez 441 partos. Já no primeiro trimestre deste ano foram 505 partos.", relatou Maria do Carmo Lobato.
 
Samu 192 - O Procurador da República, Allan Mansur, e a Presidente do CRM-PA, Fátima Couceiro, também se reuniram, em Belém, para discutir a crise que atinge a saúde no Estado e sobre a atuação do CRM. Além deles, acompanharam o encontro o vice-presidente do CRM-PA, Joaquim Ramos; o corregedor, Aristóteles Miranda, e o diretor financeiro da entidade, Marcus Vinicius.
 
Um dos pontos tratados na reunião foi a situação do SAMU 192 que passa por sérios problemas. Ficou estabelecida durante o encontro, uma parceria entre o Conselho Regional de Medicina e o Ministério Público Federal. “O trabalho do CRM vai ajudar a Justiça Federal e o Ministério Público Federal, além de servir ao interesse público”, disse o procurador. “O problema na saúde é crônico. Além disso, ainda tem a má aplicação da verba e o desvio de recurso. É um problema generalizado e que está atingindo todo o País.”, disse Allan Mansur.
 
 
Fonte: Assessoria de Imprensa do CRM-PA/ Rodrigo Monteiro
 
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