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Observatório do SUS - Rio Grande do Norte Imprimir E-mail
Seg, 04 de Julho de 2011 16:02
 Recursos insuficientes penalizam os usuários da rede
O Cremern acompanha o trabalho de qualificação da assistência pública, que tem exigido envolvimento direto dos principais gestores do SUS no estado


Em um estado com pouco mais de 3 milhões de habitantes, faltam leitos, unidades de terapia intensiva, equipamentos, médicos, além de uma política progressiva de assistência médica aos pacientes atendidos pelo sistema através da Rede Básica de Saúde. Os problemas enfrentados pelos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte são antigos.
 
Um exemplo fica na capital do Estado. Inaugurado há 38 anos, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel é o maior hospital público do Estado e referencia em atendimento de urgência e emergência para pacientes poli-traumatizados.  Localizado em Natal, o atendimento oferecido pelo hospital é o retrato fiel do funcionamento do SUS na região.
 
Com a falta de um serviço de saúde eficiente no interior e na capital, o HWG sofre com a sobrecarga. Atende em média 50% acima de sua capacidade diária pacientes de todos os setores. Pacientes de vários municípios do RN agonizam nos corredores a espera por cirurgias e atendimentos de urgência e emergência.
 
Tempo de espera - O motociclista Jorge Menezes, 28 anos, é um exemplo. Em 9 de junho, ele contabilizava 17 dias de espera por uma cirurgia ortopédica, depois de sofrer um acidente de moto e ter fraturado o joelho esquerdo. Assim como Jorge, outros 44 pacientes aguardavam por uma cirurgia ortopédica naquele dia.
 
O motivo de tanta espera está na falta de disponibilidade de leitos nos três hospitais particulares, conveniados pelo SUS, através da Secretaria Municipal de Saúde de Natal, para realização das cirurgias. Para o diretor geral do Hospital Walfredo Gurgel e membro do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), Mozart Dias de Almeida, a falta de atendimento da Rede Básica de Saúde se torna o maior gargalo para o hospital e para o SUS.
 
“Tudo isso acontece por falta de uma política de atenção básica. É necessário que os municípios atendam no hospital da cidade e que o Hospital Walfredo Gurgel sirva como referência para os casos mais graves. O excesso de demanda de pacientes fora do perfil de atendimento, como casos clínicos de pacientes com cardiopatia leve, diabéticos, portador de tumores, entre outros casos, é grande. O atendimento através do SUS acaba não sendo satisfatório”, garante o diretor.  
 
Transferência de pacientes - Para resolver o problema dos pacientes que esperam por cirurgia nos corredores do hospital, o diretor-técnico do HWG, João Batista Rabelo, estuda uma solução: “Estudamos a possibilidade de transferir os pacientes, com fraturas simples, para suas casas enquanto acontece o agendamento da cirurgia. Assim, o fluxo melhora bastante. Essa é a parte prática da administração do hospital para resolver esse problema”, argumenta.
 
Outro problema que faz parte do atendimento da rede pública de saúde do Estado é a falta de hospitais com assistência obstétrica. Em todo o Rio Grande do Norte, são apenas oito maternidades com escalas completas de anestesistas, pediatras e obstetras para todos os 167 municípios do Estado.
 
Muitas gestantes optam em ter seus filhos em estados vizinhos devido à falta de vagas. A falta de pediatras e UTI’s infantis também têm agravado o problema do atendimento do SUS.  De acordo com presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira, o órgão tem uma comissão de fiscalização para visitas e elaboração de relatórios que são encaminhados para as secretarias municipais e do Estado, com objetivo de resolver problemas da saúde pública. “Estamos atentos aos sérios problemas e também elaborando um Plano de Resgate do Serviço Público de Saúde para o Estado. Temos reunião agendada com a prefeita de Natal e a governadora do Estado para exigir soluções rápidas”, disse Geraldo Ferreira.

Subfinanciamento - A Secretaria Estadual de Saúde sabe quais os principais problemas enfrentados. Entre eles, destaca o subfinanciamento do SUS por parte do governo federal, agravado pela situação contábil encontrada na SESAP/RN; fragilidade da rede progressiva de atenção/assistência a saúde do RN e a falta de planejamento com administração pública burocrática e engessada.

De acordo com a secretária-adjunta Estadual, Ana Tânia Sampaio, o subfinanciamento vem acontecendo desde o ano 2000, quando a Emenda 29 foi aprovada, mas não regulamentada pelo Congresso Nacional.  “A emenda estabeleceu o piso mínimo dos municípios, em 15%, o piso mínimo dos Estados, em 12%, mas não estabeleceu o piso do Governo Federal. Isso dificulta muito”, reclama.

Ela também chama atenção para a fragilidade na atenção básica dos municípios. “Os indicadores são preocupantes de mortalidade materna e infantil. Temos deficiência e centralização na oferta de serviços de média e alta complexidade; baixa resolutividade dos hospitais regionais. Temos ainda que reverter à situação vergonhosa de ser o segundo pior estado em saúde ocular no Brasil”, disse Ana Tânia.

Levantamento – Em busca de soluções para os problemas, o Estado está fazendo um levantamento da situação dos hospitais (capacidade instalada e Recursos Humanos para definir quais são realmente de caráter regional, microrregional ou de pequeno porte.

“Não tem cabimento o estado manter 23 hospitais sem resolutividade. Vamos definir quais desses são de caráter Regional (com mais de 100 leitos). Pretendemos pelo menos equipar e instrumentalizar um em cada Região de Saúde, com ampla resolutividade (de caráter geral”, conta Ana Tania que relata ainda outra tentativa de solucionar os problemas.

No caso, a criação de grupo gestor formado pelos coordenadores da SESAP e os Gerentes das URSAPs (Unidades Regionais de Saúde Pública), que se reúne uma vez por mês para discutir as demandas das regiões. Juntos, eles já implantaram uma agenda eletrônica onde são visualizadas e monitoradas as soluções e encaminhamentos.

Qualificação – Neste contexto, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte vem buscando continuamente a promoção da assistência básica no SUS, através da realização de cursos de aplicação prática imediata para médicos do interior, sempre observando o lema "educar para não punir".

“Se conseguirmos uma atenção básica de qualidade, os problemas de infraestrutura de atendimento do SUS serão reduzidos significativamente. A maior contribuição do Cremern para melhoria dos serviços do SUS é a fiscalização intensiva das condições de trabalho das unidades de atendimento, porque um médico com boas condições de trabalho reflete no atendimento à população”, garante o presidente do Cremern, Jeancarlo Cavalcante.  

Na opinião do presidente do Cremern, o que precisa ser feito para que o SUS funcione de maneira mais eficiente é acabar com o sub-financiamento na saúde.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Cremern


 
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